# Entrevista com Miura Takumi: tradição, segurança e ensino do shibari

> Miura Takumi fala sobre sua trajetória como nawashi, o ensino de cordas com foco em segurança, o uso tradicional da corda de juta e a preservação do hojojutsu.

- Tema: Shibari e cordas
- Tags: shibari, nawashi, segurança, hojojutsu, corda de juta, ensino, tradição
- URL: https://arcanobdsm.com.br/a/entrevista-com-miura-takumi-tradicao-seguranca-e-ensino-do-shibari
- Fonte original: Kinbaku Today (https://www.kinbakutoday.com/miura-takumi-interview-osada-steve)
- Atualizado: 2026-11-01

Publicada originalmente em 2008 e republicada em 2019, a entrevista conduzida por Osada Steve com Miura Takumi aborda a formação de um nawashi, o ensino do shibari e a relação entre tradição e segurança. Takumi é apresentado como alguém com cerca de quinze anos de prática na época, sendo sete deles como profissional. O texto ajuda a entender como um praticante japonês pensa a corda para além da estética: como técnica, patrimônio e responsabilidade.

## Da curiosidade ao ofício

Takumi conta que o primeiro contato veio pelo interesse em SM, mas que a curiosidade cresceu ao perceber as possibilidades construtivas da corda. Para ele, o fascínio está em criar formas e estruturas variadas com um único pedaço de corda, explorando um potencial criativo que considera ilimitado. Como nawashi profissional, relata uma rotina diversificada: apresentações ao vivo, participação em vídeos próprios e de outros produtores, trabalhos para revistas, um salão de cordas aberto duas vezes por mês e atividades de pesquisa e educação. Nesse conjunto, ele destaca o ensino de práticas seguras e a preservação de técnicas históricas.

## Ensino e prática supervisionada

Um dos pontos centrais é o dojo mensal de Takumi. Ele diferencia seu formato de aulas mais tradicionais, em que o professor demonstra e os alunos experimentam uma ou duas vezes. No dojo, a prioridade é a prática supervisionada, semelhante ao treino de artes marciais. O grupo é limitado a dez alunos, com cinco a sete modelos, para que cada participante tenha contato real com a amarração durante a sessão de duas horas. Takumi demonstra, observa e auxilia, mas o aprendizado acontece com as mãos na corda. Quando o aluno demonstra domínio de um nó, passa por uma avaliação de segurança, correção e rapidez; se aprovado, avança de nível e recebe um cartão correspondente.

Ele vê valor em transmitir conhecimento de modo organizado e menciona a ideia de uma associação profissional de nawashi. A proposta esbarraria, porém, na competição entre muitos profissionais e na falta de espaços de cooperação. Ainda assim, Takumi defende que aquilo que aprendeu ao longo da vida seja passado adiante e desenvolvido por outras gerações.

## Internet, segurança e responsabilidade

Takumi observa que o shibari se tornou mais visível e acessível com a internet. Considera positivo que mais pessoas possam conhecer a prática em suas várias dimensões: erotismo, arte e história ligada a técnicas marciais. Ao mesmo tempo, alerta para um risco. Ao ver uma foto de alguém suspenso, um iniciante pode achar que basta ter uma pessoa e uma corda. Ele teme que a falta de noção sobre a importância da segurança leve a lesões. Por isso, insiste que educação não serve apenas para conservar a tradição, mas também para proteger quem está sendo amarrado.

## Corda de juta e comprimento

Questionado sobre o uso de algodão ou náilon no Ocidente, Takumi não rejeita outros materiais, desde que a prática seja segura. Ainda assim, explica por que muitos praticantes sérios no Japão preferem o asanawa, a corda de juta: as fibras são fortes, não esticam e mantêm os nós firmes, o que dá estabilidade à estrutura. Sobre o comprimento, defende que sete metros são tradicionais e eficientes. A medida remete ao sistema japonês de tatames e ao tsubo, unidade formada por dois tatames. Além disso, o comprimento combina com a envergadura média de um adulto: ao dobrar a corda e puxá-la, o movimento se ajusta bem aos braços. Para Takumi, o critério principal é a eficiência do gesto, não o tamanho da pessoa amarrada.

## Estilo, vídeos e hojojutsu

O estilo de Takumi varia conforme o contexto. Em shows, busca uma apresentação visual e acrobática, pensada para entreter o público. Em trabalhos para fotógrafos ou diretores, adapta-se ao projeto. Quando tem liberdade total, diz preferir o semenawa, seu interesse pessoal dentro do SM. Nos vídeos da produtora Bakuyukai, procura construir narrativas e mostrar a interação emocional entre quem amarra e quem é amarrado, mantendo a corda como eixo principal.

Ele também se dedica ao hojojutsu, conjunto de técnicas históricas de captura e imobilização com corda. No período Sengoku, chegaram a existir cerca de dezoito escolas com métodos próprios. Muitas desapareceram e parte do conhecimento se perdeu. Takumi estuda textos e ilustrações sobreviventes e deseja registrar o que resta, talvez em um livro. Como as imagens antigas mostram o resultado final, a reconstrução é hipotética; ele evita atribuir suas recriações como verdade absoluta de uma escola. Seu objetivo é ao menos mostrar que o hojojutsu é uma base histórica do shibari contemporâneo.

## Legado e cuidados

Se for lembrado, Takumi espera ser visto como alguém que tentou proteger e preservar a tradição da amarração japonesa. Não condena inovações, desde que feitas com segurança; pessoalmente, prefere seguir o caminho da tradição.

Para o leitor atual, a entrevista reforça que shibari é uma prática entre pessoas. Antes de qualquer cena, é necessário conversar sobre limites, consentimento e expectativas. Durante a prática, palavras de segurança ou sinais combinados devem estar claros, e a pessoa que amarra precisa monitorar circulação, sensibilidade e respiração. Ao final, reservar tempo para aftercare e para uma conversa honesta sobre o que funcionou e o que precisa ser ajustado é parte do cuidado. A ênfase de Takumi em instrução, supervisão e uso adequado de materiais vale tanto para iniciantes quanto para quem já tem experiência.

## Segurança

- Aprenda amarração e, especialmente, suspensão com instrutores experientes; erros podem causar lesões graves.
- Verifique com frequência circulação, sensibilidade e respiração da pessoa amarrada.
- Combine palavras de segurança ou sinais não verbais antes de iniciar a prática.
- Reserve tempo para aftercare e para conversar sobre a experiência depois.
