# Estrangulamento sexual: revisão de notícias dos EUA aponta 59 mortes em 25 anos

> Revisão da NCSF (2025) catalogou 59 mortes por estrangulamento sexual noticiadas nos EUA entre 2000 e 2025 e reforça que a prática é de altíssimo risco, sem técnica comprovadamente segura.

- Tema: Segurança e consentimento
- Tags: estrangulamento, seguranca, consentimento, pesquisa, riscos, comunidade-kink
- URL: https://arcanobdsm.com.br/a/estrangulamento-sexual-revisao-de-noticias-dos-eua-aponta-59-mortes-em-25-anos
- Fonte original: NCSF - National Coalition for Sexual Freedom (https://ncsfreedom.org/2025/07/01/deaths-from-sexual-choking-a-review-of-u-s-news-reports-2000-2025)
- Atualizado: 2026-10-28

Uma revisão publicada em julho de 2025 pela National Coalition for Sexual Freedom (NCSF), assinada por Susan Wright, reuniu reportagens norte-americanas sobre mortes associadas a estrangulamento durante atividades sexuais. O objetivo era confrontar o discurso corrente com os dados disponíveis: não existe forma comprovadamente segura de interromper o fluxo de ar ou de sangue de alguém durante o sexo.

## Como a revisão foi feita

A autora buscou notícias no Google e no Bing usando termos equivalentes a “estrangulamento”, “sexo” e “morte”, e encontrou relatos de 59 óbitos ocorridos entre 1º de janeiro de 2000 e 31 de dezembro de 2025. A maior parte (63%, ou 37 casos) se concentrou em um intervalo de dez anos iniciado após o lançamento de *Cinquenta Tons de Cinza*, em junho de 2011, e encerrado antes da pandemia. A partir de 2020, dados científicos sobre os danos da prática começaram a alcançar a imprensa em geral.

## O que a pesquisa científica já indica

Estudos recentes apontam que bloquear a circulação cerebral pode provocar lesões físicas graves, como dano neurológico e parada cardíaca. Há também efeitos sobre a saúde mental — relatos de tristeza, solidão, depressão e ansiedade — e, em quem é estrangulado de forma repetida, indícios de prejuízo à memória de trabalho em tarefas verbais e visuais.

Um levantamento de 2022 sobre mortes acidentais em contextos BDSM verificou que 88% delas (15 de 17 casos) foram causadas por estrangulamento. Em três desses casos, as vítimas haviam recebido instruções de *breath play* e treinamento em reanimação cardiopulmonar antes do ocorrido — o que sugere que informação e preparo reduzem a margem de erro, mas não eliminam o risco inerente.

## A crença na “técnica segura”

Em uma amostra de mais de 4.200 estudantes universitários entrevistados em 2021, 88,9% das pessoas que praticavam sabiam que alguém pode morrer estrangulado. Ainda assim, 37,5% classificaram a prática como segura e 49,6% afirmaram saber como fazê-la com segurança. A mídia de cultura pop reforça essa impressão: entre 69 matérias publicadas de 2007 a 2025, 21 traziam instruções de *como fazer*, cerca de 20 não mencionavam a possibilidade de morte e 13 falavam apenas em “risco” ou “dano cerebral”.

## Perfil das vítimas e dos casos

Os dados mostram um padrão de gênero: 20,6% das vítimas eram homens (12 casos), enquanto apenas 5% dos responsáveis eram mulheres (3 casos). Cerca de 14% dos casos envolvia parcerias entre homens; os outros 86% envolviam casais heterossexuais. Mais da metade das vítimas tinha até 30 anos, 27% estava entre 31 e 50 anos e 14% acima de 51.

Quanto ao vínculo entre as pessoas, cerca de um quarto dos casos envolvia namorados, amantes ou parceiros habituais de prática. Em sete situações, o estrangulamento aconteceu no primeiro encontro — incluindo alguém conhecido em uma loja de conveniência, em um aplicativo de namoro e em uma festa de Halloween.

Segundo as reportagens analisadas, 20% das pessoas mortas se identificavam como praticantes de força erótica ou imobilização, percentual que chegava a 27% entre os responsáveis. Outros nove responsáveis alegaram que a vítima *pediu*, sem que as matérias apresentassem qualquer evidência de interesse prévio dela.

## O que a comunidade kink faz

Em julho de 2024, a NCSF consultou por e-mail 50 grupos parceiros que atendem pessoas kinky. Apenas sete (12,3%) permitiam estrangulamento em seus eventos, e cinco deles somente para membros que pedissem autorização a monitores ou responsáveis pelo espaço. Nenhum oferecia oficinas sobre como estrangular, devido ao risco jurídico envolvido.

A falta de acesso à educação kink pode estar na origem da ideia de que estrangulamento erótico é uma prática típica da comunidade. Na pesquisa nacional *Sexual Diversity in America*, de 2015, 30% dos adultos relataram spanking, 22% roleplay e 20% bondage, mas apenas 3,4% haviam frequentado uma festa BDSM onde se aprendem normas de segurança e formas de negociar consentimento.

## Consentimento não protege juridicamente

A revisão destaca que consentimento não serve de defesa quando alguém morre ou sofre lesão grave durante a atividade sexual. Em 51 dos casos analisados, o responsável foi condenado — por homicídio doloso (33), homicídio culposo (11), homicídio (6) ou violência doméstica (1). Cinco cometeram suicídio, dois não foram acusados e um foi absolvido.

Entre as diferenças apontadas em relação a práticas kink consensuais e legalmente amparadas estão a possibilidade de a inconsciência impedir a retirada do consentimento, a ausência de consentimento informado e, com frequência, a falta de qualquer conversa prévia.

## O que considerar

A conclusão da autora é que o estrangulamento é a atividade sexual de maior risco conhecida e que nenhuma forma de treinamento altera esse fato. Para quem transita por práticas de restrição, o caminho é a negociação explícita de limites, o uso de palavras de segurança, a combinação prévia de cuidados posteriores e a recusa de qualquer cena em que a comunicação não seja possível do início ao fim. Em caso de perda de consciência, respiração ruidosa, confusão, dor no pescoço ou manchas na pele, é preciso buscar atendimento de emergência imediatamente e não deixar a pessoa sozinha.

## Segurança

- Não existe forma segura de estrangulamento: qualquer pressão no pescoço pode causar morte ou lesão cerebral irreversível.
- Nunca pratique esse tipo de cena sozinho(a) — é preciso alguém capaz de acionar o serviço de emergência.
- Diante de perda de consciência, dificuldade para respirar, confusão ou dor no pescoço, ligue para a emergência (192 no Brasil) e acompanhe a pessoa.
- Consentimento prévio não elimina o risco nem a responsabilidade legal em caso de lesão grave ou morte.
