# Revista Fuzoku Kitan de 1961: arquivo histórico de kinbaku e SM

> Página do arquivo Kinbaku Today sobre a edição especial de janeiro de 1961 da revista Fuzoku Kitan, que mistura fotografia de bondage, moda fetichista, ficção, sexologia popular e um dossiê sobre homossexualidade e lesbianismo.

- Tema: História
- Tags: kinbaku, história, revista japonesa, sm, fetichismo, arquivo, década de 1960, sexologia
- URL: https://arcanobdsm.com.br/a/fuzoku-kitan-de-janeiro-de-1961-arquivo-historico-de-bdsm-e-kinbaku
- Fonte original: Kinbaku Today (https://www.kinbakutoday.com/sm-issue/january-1961-special-issue-on-sodomy-and-lesbianism?flipbook_page=89)
- Atualizado: 2026-10-30

## Um registro de arquivo

A página do Kinbaku Today apresenta a ficha da edição de janeiro de 1961 da revista japonesa *Fuzoku Kitan*, com 140 páginas em PDF e um sumário de 32 itens. O material é descrito como um número heterogêneo, que reúne fotografia de bondage, moda fetichista, ficção erótica, ensaios de sexologia popular, biografias, notas editoriais e cartas de leitores. A ficha não é um manual de prática: funciona como documentação histórica de uma publicação adulta do Japão do pós-guerra.

## Estrutura visual

A edição abre com ilustrações eróticas e de punição de origem ocidental, seguidas por um sumário formal e por uma longa sequência visual dedicada a amarração, contenção, roupas fetichistas, cenas sadomasoquistas encenadas e humilhação teatral. Nas gravuras monocromáticas, mulheres aparecem de quimono ou roupa íntima em interiores domésticos, em poses que recorrem a suspensão, vendas, amarrações de tronco, contenção em forma de cruz, inversão, amarração no chão, correntes e camas.

Depois dessa parte, o número inclui um conjunto mais lúdico de dominação entre duas pessoas e uma sequência chamada *Leather Fetishism*, com botas, luvas, peças de couro e figuras de autoridade feminina. Há também ilustrações de página inteira com fantasias de suspensão em edifícios, castigos na neve, velas, correntes e trilhos de trem. Esses elementos mostram como a revista combinava estética fetichista, encenação e fantasia de submissão em um mesmo pacote editorial.

## O dossiê central

O destaque principal é um especial intitulado *Sodomy and Lesbianism*, termo que reflete a linguagem da época. O ensaio de abertura, de Okumura Sekio, discute homossexualidade, desejo sexual e o vocabulário sexológico então usado para descrever relações entre pessoas do mesmo sexo. O texto pertence a um contexto em que categorias como “uranismo” e outras classificações hoje obsoletas circulavam em publicações populares.

Na parte literária, Shishimura Yutaka assina *Beauty Beauty*, narrativa ilustrada de temática lésbica, com ciúme, sedução, humilhação e cenas de contenção. Arikawa Masako contribui com *The Season of Rime Ice*, abertura de uma narrativa ambientada em uma cidade nevada e marcada por segredo e contenção emocional. Kabiya Kazuhiko escreve *The Entire Art of Love*, ensaio amplo sobre desejo masculino, papéis sexuais e relações afetivas. Completam o dossiê textos como *Famous Sodomites*, de Hai Geitei, e *Portraits of Famous Lesbians*, de Mano Rei, que misturam biografia, anedota histórica, celebridade, arte e sensacionalismo.

Esses materiais ilustram uma característica da revista: a ausência de fronteira firme entre pesquisa sexual, entretenimento, ficção e escândalo. O leitor encontra desde comentário sexológico até perfis de figuras históricas e narrativas ilustradas, tudo organizado para produzir variedade e apelo comercial.

## Ficção, fetichismo e cartas

A parte final da edição amplia o repertório para além do dossiê central. A novela *The Flower Rocking Horse*, de Kita Jun, é seguida por textos curtos sobre comportamentos eróticos incomuns, brincos como objetos fetichistas, práticas corporais e curiosidades. A seção *Masochist’s Letters* inclui *The Shame of a Woman Being Tormented* e outros ensaios sobre humilhação, sadismo demonstrativo, sensações corporais e memórias de maus-tratos. Shinoda Fujimi transforma uma fantasia tátil incomum em ensaio erótico em *Crabs Crawling on a Woman’s Skin*.

O encerramento ficcional fica com *The Woman of the Etsugyaku Club*, de Aoyama Miekichi, que retorna ao tema da crueldade erótica organizada e da cultura de clubes. Em seguida, *Reader Salon* reúne cartas, respostas pessoais e comentários editoriais sobre ficção erótica, imagens de bondage e interesses sexuais. A seção sugere que a revista funcionava também como espaço participativo de uma subcultura sexual, e não apenas como vitrine de textos e fotografias. As últimas páginas trazem avisos editoriais, informações de publicação e anúncios de revistas ligadas ao erotismo e à cultura do anormal.

## Como ler hoje

A edição é um documento histórico valioso para pesquisar a circulação de imagens de kinbaku, fetichismo e sexologia popular no Japão de 1961. Ao mesmo tempo, exige leitura crítica: os termos sobre orientação sexual, gênero e corpo são datados, e muitas cenas descritas são fantasias encenadas, não relatos de prática segura. Para o leitor atual interessado em BDSM, a distância entre a estética da revista e a prática contemporânea é importante. Práticas de cordas, contenção ou humilhação exigem consentimento claro, negociação prévia, palavras de segurança, atenção a riscos físicos e emocionais e cuidados posteriores.

## Segurança

- As imagens e narrativas descritas são material histórico de fantasia, não instruções para práticas atuais.
- Práticas de cordas e contenção exigem consentimento, negociação prévia, palavras de segurança e cuidados posteriores.
- Termos e enquadramentos da revista refletem a linguagem e os preconceitos de 1961; não devem ser tratados como referência atual sobre orientação sexual ou gênero.
