# Glossário de shibari: termos essenciais de cordas japonesas explicados

> Um panorama dos principais verbetes de um glossário de shibari: nomes japoneses de amarrações e posições, tipos de corda, nós e fricções, papéis na prática e cuidados pós-cena, com foco em segurança e consentimento.

- Tema: Glossário
- Tags: shibari, glossário, cordas, suspensão, segurança, cultura japonesa
- URL: https://arcanobdsm.com.br/a/glossario-de-shibari-termos-essenciais-de-cordas-japonesas-explicados
- Fonte original: Shibari Study (blog) (https://shibaristudy.com/glossary)
- Atualizado: 2026-10-29

## O que é este glossário

O vocabulário do shibari mistura japonês, termos náuticos e expressões criadas por comunidades praticantes no Ocidente. Um glossário serve justamente para organizar esse vocabulário e evitar confusões: muitos nomes descrevem posições, outros descrevem objetos, e outros nomeiam papéis ou etapas do cuidado. Abaixo está um panorama organizado por temas, com definições reescritas e comentários sobre contexto e segurança.

## Anatomia e nomes japoneses

Vários verbetes são simplesmente partes do corpo, usadas como prefixo ou sufixo em nomes de amarrações:

- **Ashi (足)** – perna. Aparece em nomes de posições que exigem colocação específica das pernas, como a variante com uma perna elevada.

- **Ashikubi (足首)** – tornozelo, presente no nome completo da amarração de canela com coxa.

- **Chikubi (乳首)** e **Chitsu (膣)** – termos anatômicos japoneses registrados no glossário apenas como vocabulário; em qualquer prática envolvendo essas áreas, negociação prévia e limites explícitos são indispensáveis.

- **Dō nawa (胴縄)** – corda de torso/faixa da cintura, usada em suspensão para apoiar a região. Diferente de *koshi nawa*, que passa pelo quadril.

## Amarrações e posições mais citadas

- **Agura shibari (胡座縛り)** – amarração com as pernas cruzadas, na posição sentada de mesmo nome; às vezes chamada de *zazen shibari*, por referência à postura de meditação budista.

- **Ashikubi futomomo shibari (足首 太もも 縛り)** – a clássica amarração de perna dobrada, em que o tornozelo é preso à coxa. Existe em versões simples e em desenhos mais elaborados, como o *futomomo* diamante.

- **Box tie / gote / takate kote** – família de amarrações de tronco com os braços atrás das costas e voltas no peito. O "box" vem do formato de caixa com quatro cantos formado por braços e peito. Há inúmeras variações de terceira corda, decorativas ou funcionais.

- **Chokushin gote shibari (直進後手縛り)** – braços esticados para trás; no Ocidente às vezes comparada ao *strappado*, embora este último designe uma tortura histórica com risco grave de lesão e luxação no ombro. A comparação é útil apenas como alerta.

- **Chest harness / munenawa (胸縄)** – qualquer arnês de peito que não envolve os braços.

- **Ebi shibari (海老縛り)** – posição "de camarão": pessoa sentada com pernas cruzadas e tronco comprimido contra elas. Foi usada como método de tortura no período Edo e hoje é reconhecida como postura de altíssimo risco, por restringir a respiração.

- **Buranko (ブランコ)** – usar a pessoa suspensa como balanço; a palavra significa literalmente "balanço".

- **Bō shibari (棒縛り)** – amarrar a pessoa a um bastão ou usar bastões no próprio esquema de cordas (entre os braços, como espaçadores etc.). Tem raízes no teatro kabuki.

- **Daruma shibari (達磨縛り)** – pernas abertas para os lados com os braços passando por dentro delas e fixados ao quadril; o nome vem do boneco japonês que representa o monge Bodhidharma.

## Suspensão e pontos de ancoragem

- **Anchor point** – qualquer ponto seguro onde a corda pode ser fixada: ganchos no teto, argolas na parede, estruturas específicas. A segurança do ponto é o item mais crítico de toda suspensão.

- **Aomukezuri (仰向け吊り)** – suspensão com a pessoa de frente para cima.

- **Ebi-zuri (海老吊り)** – suspensão na posição de camarão, combinação particularmente delicada.

- **Carabiner** – mosquetão de escalada às vezes usado para criar sistemas de roldana; deve ser sempre um equipamento com carga de trabalho segura declarada.

- **Dressing** – o trabalho de ajeitar as voltas com os dedos, alinhando-as, removendo torções e equalizando a tensão. Em suspensão, é etapa de segurança, não estética.

## Nós, fricções e vocabulário técnico

- **ABOK** – *The Ashley Book of Knots*, enciclopédia de nós publicada em 1944 pelo marinheiro Clifford W. Ashley, com 3.857 verbetes numerados. Apesar de não ser um livro de shibari, virou referência taxonômica: a maioria das amarrações de corda usa apenas um punhado desses nós.

- **Bowline** – laço fixo que não aperta nem colapsa; no cordame erótico aparecem variantes como a Somerville e a French bowline.

- **Clove hitch** – duas voltas simples sucessivas em torno de um objeto, útil como nó de cruzamento (ABOK #11).

- **Cow hitch** – também chamado de *lark's head* ou *hibari musubi*, formado por dois meio-nós (ABOK #1802).

- **Bend** – qualquer nó que une duas cordas entre si.

- **Bight** – uma alça aberta formada ao longo da corda, não necessariamente na ponta.

- **Cinch / kannuki** – recurso que adiciona tensão, típico de amarrações de dois membros e do gote.

- **Battendome (罰点留め)** – fricção em X usada para travar cruzamentos, comum na primeira volta do gote.

- **Friction** – travar um trecho de corda contra outro sem fazer um nó propriamente dito.

- **Amari nawa (余り縄)** – a sobra de corda ao final da amarração, aproveitada como decoração ou reforço estrutural.

## Materiais

- **Asanawa (麻縄)** – corda de fibra natural, por oposição às sintéticas. O termo designa fibras de líber em geral (juta, cânhamo, linho), o que explica a fama "tradicional" da juta.

- **Aranawa (荒縄)** – corda de palha de arroz, comum em fotografias antigas de kinbaku.

- **Bayu (馬油)** – óleo de cavalo, tratamento tradicional para condicionar cordas naturais.

## Papéis e cultura

- **Bakushi (縛師)** – forma curta de *kinbakushi*, quem ensina kinbaku.

- **Deshi (弟子)** – aprendiz ou discípulo formal de uma escola (*ryu*), com responsabilidades maiores que as de um aluno comum.

- **Dōjō (道場)** – originalmente salas de treino ligadas a templos budistas; hoje o termo é usado no Ocidente para espaços de prática, embora não seja comum no Japão.

- **Bottom** – quem é amarrado; não é sinônimo de pessoa submissa.

- **Bunny** – gíria para quem faz o papel de amarrado, considerada depreciativa por parte da comunidade; deve ser sempre um identificador escolhido pela própria pessoa.

## Cuidado e contexto

- **Aftercare** – o conjunto de ações para sair de uma cena em ambiente estável e acolhedor. As necessidades variam de pessoa para pessoa e devem ser combinadas antes; podem ir de um abraço e um chá a horas de suporte emocional e físico.

- **Drop** – queda emocional ou mental após experiências intensas, ligada à redução de endorfinas. Pode ser imediata ou tardia e afetar tanto quem amarra quanto quem é amarrado.

- **Dungeon e dungeon monitor (DM)** – espaço equipado para práticas BDSM e a pessoa responsável por zelar por segurança, consentimento e riscos, intervindo quando necessário.

## Segurança

- Pontos de ancoragem e mosquetões devem ter carga de trabalho declarada e inspeção regular; nunca improvise com estruturas não avaliadas.
- Posições comprimidas como ebi shibari e ebi-zuri restringem a respiração e exigem supervisão constante e saída rápida.
- Combine previamente limites, palavras de segurança e o plano de aftercare, lembrando que as necessidades podem variar de uma cena para outra.
- Atenção ao drop: ele pode surgir horas ou dias depois e afetar também quem amarra.
