# Kama Sutra das Cordas: manual japonês une shibari e 24 técnicas

> Resenha de "Inbaku Shijuhatte Volume 1", livro japonês que reúne 24 técnicas eróticas com cordas, com ilustrações e caligrafia, mas sem instruções de nós ou amarrações.

- Tema: Livros
- Tags: shibari, kinbaku, livros, manual, cultura japonesa, sexualidade, tradição edo
- URL: https://arcanobdsm.com.br/a/kama-sutra-das-cordas-manual-japones-une-shibari-e-24-tecnicas
- Fonte original: Kinbaku Today (https://www.kinbakutoday.com/review-japanese-kama-sutra-2-jonathan-ryan)
- Atualizado: 2026-11-02

## Um manual que olha para o lado sensual da corda

O universo do shibari e do kinbaku ganhou alcance mundial nas últimas décadas, e esse crescimento trouxe dois movimentos paralelos. De um lado, a modalidade se aproximou do grande público, com apresentações em galerias de arte e festivais de música. De outro, permanece viva a origem dessa arte, nascida do desejo e de impulsos sadomasoquistas que encontraram espaço nos espetáculos adultos de Tóquio e Osaka e nas revistas e vídeos voltados ao público BDSM. O livro **Inbaku Shijuhatte Volume 1** — que pode ser traduzido como "Kama Sutra das Cordas" — se posiciona justamente nesse segundo campo.

A resenha original é de autoria de Jonathan Ryan, cordista norte-americano conhecido na internet como Seattle Shibari, publicada no site Kinbaku Today em junho de 2022.

## A tradição dos "48 movimentos"

Manuais de instrução têm longa história no Japão, cobrindo desde esgrima e adivinhação até sumô e sexualidade. O termo *te* significa literalmente "mão", mas no período Edo (aproximadamente entre 1600 e a década de 1860) passou a designar, por eufemismo, uma habilidade específica ou uma técnica corporal particular.

Foi nesse contexto que o sumô consagrou os famosos *shijuhatte*, os "48 movimentos essenciais". A mesma lógica foi aplicada aos prazeres do corpo: manuais sexuais circularam com bastante popularidade no Japão Edo, e um livro de 48 posições era entendido como um guia abrangente de técnicas para proporcionar prazer mútuo, em moldes semelhantes ao Kama Sutra indiano.

## Quem fez o livro

A obra é resultado da parceria entre três artistas:

- **Marc**, cordista francês radicado há muito tempo em Tóquio, com mais de uma década de dedicação ao kinbaku e membro sênior da organização Ichinawakai;

- **Chagawa Byo**, ilustrador baseado em Tóquio, com traço delicado e bem-humorado;

- **Hayashi Yūgen**, calígrafo cuja produção se caracteriza por pinceladas marcantes.

Juntos, produziram um volume enxuto e elegante, pensado como fonte de inspiração para quem deseja unir cordas e desejo.

## O que o livro traz — e o que ele não traz

Um ponto importante para quem procura material técnico: **não há instruções de nós ou de travamentos** na obra. O conteúdo se organiza em 24 técnicas descritas em texto, sempre com a corda como elemento estruturante da cena. Os capítulos são agrupados por tipo de prática, abrangendo desde o uso de vibradores até estimulação manual, estímulos orais e relações com penetração.

Cada uma das 24 técnicas recebe:

- um nome poético, como "O eco do sino, a flauta de bambu";

- um trecho explicativo sobre a mecânica básica e os benefícios da posição;

- uma ilustração;

- uma caligrafia com o nome da técnica;

- uma indicação, ao pé da página, das práticas para as quais aquele movimento é mais adequado.

As descrições são propositalmente simples, deixando espaço para adaptações conforme o gosto, a experiência e o tipo de corpo das pessoas envolvidas. O resenhista classifica a obra menos como um manual de amarração e mais como um **catálogo de técnicas eróticas com corda**, útil sobretudo como inspiração.

## Representação e adaptação

As ilustrações retratam um casal cisgênero e heterossexual, refletindo a trajetória do próprio autor. Marc ressalta, no entanto, que as técnicas podem e devem ser adaptadas livremente por pessoas de todos os gêneros e orientações sexuais — uma observação relevante para quem consome material japonês e pode não se reconhecer nas imagens apresentadas.

O resenhista menciona ainda que um segundo volume estava a caminho, ampliando a coleção.

## Contexto cultural

O texto de Ryan chama atenção para uma transformação interessante: uma prática criada em ambientes adultos e historicamente marginalizados passa a ocupar galerias sofisticadas e palcos de festivais. Para quem tem interesses variados dentro da corda, essa expansão não é um problema — mas vale lembrar que o aspecto sensual e o erotismo continuam sendo parte central dessa tradição, e não um detalhe a ser apagado.

## Antes de praticar

Livros como esse servem como repertório criativo, não como substituto de formação técnica. Amarrações envolvem riscos reais de compressão de nervos, restrição de circulação e quedas, e exigem estudo com instrutores qualificados, além de negociação prévia detalhada entre as pessoas envolvidas. Combine palavras de segurança, verifique a mobilidade e a sensibilidade dos membros durante a prática, mantenha tesoura de segurança ao alcance e reserve tempo para os cuidados posteriores, que incluem conversa, acolhimento e checagem do bem-estar físico e emocional de todos.

Consentimento informado, comunicação contínua e revisão constante do que está sendo feito são a base de qualquer cena com cordas — antes, durante e depois.

## Segurança

- O livro não ensina nós nem travamentos: busque instrução prática com cordistas experientes antes de tentar qualquer amarração.
- Negocie previamente limites, palavras de segurança e o que fazer em caso de desconforto ou emergência.
- Atenção a formigamento, dormência ou perda de sensibilidade nos membros — sinal para interromper imediatamente.
- Reserve tempo para os cuidados posteriores, incluindo conversa e verificação do bem-estar físico e emocional.
