# Kinbiken: a escola de Nureki Chimuo e a história do SM japonês

> Relato de Hiromi Saotome sobre o Kinbiken, grupo fundado por Nureki Chimuo em 1985, suas sessões de cordas, publicações e papel na cultura do SM japonês até 2009.

- Tema: História
- Tags: kinbaku, nureki chimuo, hiromi saotome, história do bdsm, japão, fotografia, revistas sm
- URL: https://arcanobdsm.com.br/a/kinbiken-a-escola-de-nureki-chimuo-e-a-historia-do-sm-japones
- Fonte original: Kinbaku Today (https://www.kinbakutoday.com/bondage-specialist-nureki-chimuo-part-3)
- Atualizado: 2026-11-03

## Uma modelo no centro da memória

O texto publicado no Kinbaku Today é uma tradução de posts do blog de Hiromi Saotome, datados de 7 de setembro de 2020. Nele, a modelo relembra sua convivência com Nureki Chimuo e mostra por que as modelos — amadoras e profissionais — também foram fundamentais para a história do kinbaku e do SM japonês. Saotome começou em filmes adultos em 1983 e, no mesmo ano, participou de um ensaio para a revista SM Mania ao lado de Nureki Chimuo e Norio Sugiura.

A narrativa desloca o foco dos grandes nomes do bondage para as pessoas que posavam, colaboravam e davam forma às imagens. Sem essas modelos, argumenta a autora, o SM japonês talvez tivesse permanecido restrito às revistas de cartas de leitores.

## O que era o Kinbiken

Em 1985, Nureki Chimuo fundou a Kinbaku Beauty Research Society, conhecida como Kinbiken. O grupo realizava encontros mensais com uma estrutura recorrente: Nureki amarrava uma ou várias modelos enquanto os participantes observavam com atenção ou fotografavam. O fotógrafo-chefe, Akio Fuji, conduzia a sessão com rigor semelhante ao de uma produção profissional. Fuji havia estudado com Norio Sugiura e trabalhado para revistas de SM, mas na época também atuava como fotógrafo de montanha; segundo Saotome, ele acabou assumindo a gestão do grupo por acaso.

A autora descreve Fuji como herdeiro artístico de Sugiura. Seu método era exigente: pedia que as modelos inclinassem mais a cabeça, imprimissem sentimento à cena e expressassem emoções profundas. O resultado era uma produção contínua de fotografias de bondage com atmosfera masoquista que, naquele momento, ficava fora das revistas comerciais de SM.

## A visão de Nureki sobre cordas e fetiche

Saotome reproduz reflexões de Nureki sobre as mulheres que procuravam o Kinbiken. Ele as descrevia como determinadas, teimosas, com traços sádicos e peculiaridades próprias. Para ele, era preciso transmitir a força mental delas para a corda; caso contrário, a intensidade das modelos o superaria. Apesar da admiração que demonstravam por ele, Nureki brincava que elas poderiam simplesmente virar as costas quando a corda fosse solta.

Ele também se definia como fetichista de corda de cânhamo. Em sua concepção, a ideia de “beleza do bondage” existia para permitir o prazer profundo do fetichismo, no qual S, M e F apareceriam entrelaçados. Por isso, sugeria que o termo mais adequado não seria apenas SM, mas SMF.

## Encontros, modelos e repertório fetichista

Com o crescimento da indústria de vídeos adultos, o número de modelos frequentes no Kinbiken aumentou. Membros passaram a manifestar preferências e fetiches, e alguns chegaram a experimentá-los nos encontros. O relato cita, por exemplo, mordaças feitas com tecidos, brincadeiras com o nariz, encenações de “cadela”, seppuku, borracha, bandagens e fraldas. Muitas pessoas fora do grupo alimentavam fantasias, mas poucas as realizavam de fato. Entre as modelos habituais, também surgiram pedidos por cenas específicas, o que ampliou a variedade do que era produzido.

Esses exemplos pertencem a um contexto histórico e privado de experimentação adulta. Em práticas atuais, qualquer encenação desse tipo exige conversa prévia, consentimento claro, combinados sobre limites e atenção constante ao bem-estar de quem está sendo amarrado.

## Registro, publicação e legado

O Kinbiken produziu mais de 200 vídeos e manteve um boletim editado por Nureki Chimuo, o Kinbiken Tsushin, que chegou a 23 edições. O grupo realizou 165 encontros regulares e seguiu ativo até 2009. O boletim era impresso em preto e branco e reunia não apenas fotos de Akio Fuji, mas também registros escolhidos pelos membros e cartas apaixonadas enviadas por eles.

Nureki explicava que o boletim pretendia resgatar o SM de um cenário comercial considerado excessivamente lascivo e pornográfico, aproximando-o das origens das revistas de SM. Ele mencionava leitores que se afastaram por achar as publicações contemporâneas entediantes, sobretudo no fim dos anos 1980, e dizia que o esforço coletivo havia criado uma revista cheia de paixão.

O texto encerra lembrando que Kitan Club, a primeira revista de SM do Japão, está intimamente associada à trajetória de Nureki. Assim, o depoimento de Hiromi Saotome não é apenas uma memória afetiva: é também uma fonte para entender como modelos, fotógrafos, publicações e encontros informais ajudaram a sustentar uma cultura adulta específica no Japão.

## Cuidados e leitura crítica

Este é um registro histórico e cultural, não um manual de prática. Bondage com cordas envolve riscos de compressão nervosa, problemas de circulação e lesões; por isso, deve ser aprendido com instrução qualificada e praticado com consentimento, negociação, palavras de segurança e cuidados posteriores.

## Segurança

- O texto trata de história e cultura adulta; não é um guia prático de bondage.
- Práticas com cordas exigem consentimento, negociação prévia, palavras de segurança e cuidados posteriores.
- Há riscos de compressão nervosa, circulação e lesões; busque instrução presencial qualificada.
