Evento

Data
27/09/2026
Local
Online, Online (mundial)
Site
Página oficial

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Um registro público de duas décadas de ensino

Lee Harrington é um educador e autor norte-americano que trabalha com turmas pequenas e atendimentos individuais desde 1998, com passagem por encontros como o Burning Man. O material aqui resumido é o próprio registro público de sua atuação desde 2002 — uma lista que, segundo o autor, deixa de fora eventos privados, treinamentos individuais, coaching pessoal e projetos semelhantes.

De acordo com essa listagem, até maio de 2026 ele havia ministrado aulas, palestras ou apresentações em todos os 50 estados dos Estados Unidos e em nove países: Austrália, Canadá, Inglaterra, Alemanha, Grand Cayman, Irlanda, Jamaica, Nova Zelândia e Suécia. O total ultrapassa 1.350 atividades distintas, entre cursos online, conferências presenciais, rituais e painéis.

O que os títulos das aulas revelam

A lista funciona quase como um mapa dos assuntos que circulam na educação kink contemporânea. Alguns eixos aparecem com muita recorrência:

  • Fundamentos e iniciação: aulas de introdução ao kink e ao BDSM, pensadas para quem está começando.
  • Negociação e percepção de risco: títulos como “Negociando bem com os outros… e consigo mesmo” e “Determinando seu perfil de risco” voltam em várias datas e cidades, o que mostra a centralidade do tema.
  • Cuidado posterior e autocuidado: “Ferramentas de aftercare: explorando nossas rotas de segurança” e “Autocuidado, durante-cuidado e cuidado posterior para educadores” tratam do que acontece antes, durante e depois de uma cena.
  • Troca de poder e D/s: aulas sobre dominância, submissão, protocolos, desigualdade consciente e as muitas formas do que se convencionou chamar de D/s.
  • Cordas e bondage: de “Bondage elementar” e “Bondage com uma única corda” a macramê erótico decorativo e bondage de roupas.
  • Primal play e papéis: dinâmicas de caçador e caça, predador e presa, além de roleplay dark e roleplay etário — sempre em contextos adultos e consensuais.
  • Gênero e comunidade trans: “Da disforia à euforia de gênero”, “Bondage genderqueer” e orientações para brincar com pessoas trans.
  • Corpo, deficiência e saúde: aulas sobre kink e deficiências, modificações corporais vistas em suas dimensões sagradas e profanas, e adaptação de impact play para pessoas com deficiência.
  • Espiritualidade e ritual: kink sagrado, rituais de dominância e submissão, tarô e oráculos, magia e queeridade.
  • Ofício do educador: formação de professores, precificação, comunicação e a sustentabilidade de quem vive de ensinar sobre sexualidade.

Consentimento, negociação e segurança como fio condutor

O que chama atenção na trajetória é que temas de segurança não aparecem como apêndice, mas como parte do currículo principal. Negociação explícita, definição de perfil de risco, reconhecimento de limites e planejamento do cuidado posterior são assuntos tratados em aulas próprias e retomados dentro de aulas técnicas, como as de cordas ou de impacto.

Essa ênfase faz sentido: em práticas que envolvem restrição, dor ou troca de poder, o acordo prévio e a possibilidade de interromper tudo a qualquer momento são o que separa a experiência consensual de uma situação de risco. Por isso, palavras de segurança, checagens durante a cena e um plano de cuidado posterior costumam ser ensinados junto com a técnica — não depois dela.

Vale lembrar que as aulas citadas sobre roleplay etário e age play se referem a dinâmicas entre adultos consentintes, sem qualquer envolvimento de menores de idade, e que práticas de restrição, impacto ou modificação corporal exigem aprendizado presencial com quem tem experiência, além de avaliação de riscos individuais.

Onde as atividades acontecem

A lista mistura formatos e geografias. Há uma presença forte de plataformas e espaços online que recebem aulas com regularidade — casos de Wicked Grounds, Karada House, Pragmatic Kink, Sub Rosa e do próprio Patreon do autor —, além de eventos presenciais como KinkFest (Portland), Dark Odyssey Surrender (San Jose), Camp Crucible e Free Spirit Gathering (Maryland), Leather Leadership Conference (Los Angeles), Boundless Detroit, CURE Columbus e o SouthWest M/s Contest Weekend, em Colorado Springs.

O calendário também inclui conferências voltadas a profissionais de saúde, como a THRIVE Mental Health and Kink Conference e formações com créditos de educação continuada para terapeutas, e encontros de comunidade queer, como o Queer Spirit Festival, na Inglaterra, e a Unabashed Queer Kink Conference, em Denver.

Como usar esse tipo de registro

Listas públicas de atuação funcionam como um índice de temas: ajudam quem está começando a identificar assuntos que precisa estudar e ajudam quem já participa da comunidade a acompanhar onde determinado educador estará. Elas não substituem, porém, a leitura atenta da proposta de cada aula nem a checagem de referências, códigos de conduta e políticas de consentimento do evento.

Para quem organiza encontros, o material também serve de inspiração de pauta: negociar melhor, entender o próprio perfil de risco e cuidar de si depois de uma experiência intensa são assuntos que dificilmente saem de moda.

Segurança

  • Aulas sobre cordas, impacto, restrição e modificações corporais envolvem risco real: busque instrução presencial e adapte tudo ao seu perfil de saúde.
  • Combine palavras de segurança, limites e checagens antes de qualquer cena, e tenha um plano de cuidado posterior.
  • Conteúdos de roleplay e age play tratados aqui se referem exclusivamente a práticas entre adultos consentintes.
  • Antes de participar de um evento, verifique o código de conduta e a política de consentimento da organização.
Fonte original

Este texto foi reescrito e adaptado para o português a partir de Lee Harrington. Recomendamos a leitura do original.

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