O que é S&M

S&M é a abreviação de sadomasoquismo, uma das muitas combinações possíveis dentro do espectro BDSM — sigla que reúne bondage, disciplina, dominação, submissão, sadismo e masoquismo. É comum que as pessoas usem "BDSM" e "S&M" como sinônimos no dia a dia, mas cada um desses elementos pode ser vivenciado de forma independente. Um casal, por exemplo, pode explorar amarrações leves sem que nenhum dos dois se identifique como dominador ou submisso.

De forma simples, S&M diz respeito a brincadeiras — geralmente com conotação erótica — que envolvem a troca de estímulos associados a dor, desconforto controlado, humilhação encenada ou sensações intensas. O ponto central é que tudo acontece dentro de um acordo prévio entre pessoas adultas.

Sadismo e masoquismo

Sadismo costuma ser definido como o prazer obtido ao causar dor, punir ou exercer alguma forma de crueldade sobre outra pessoa. Masoquismo é o prazer de receber esses estímulos, de sentir dor ou de ser "castigado". Em um contexto BDSM saudável, essas definições só fazem sentido quando acompanhadas de consentimento: ninguém está de fato sendo machucado contra a vontade.

As práticas podem ser físicas ou mentais. Do lado físico, entram coisas como palmadas, açoites, uso de pinças, mordidas, arranhões, cócegas intensas ou impacto com objetos variados. Do lado mental, entram cenas de humilhação combinadas, jogos de poder e situações que provocam desconforto emocional controlado. Em ambos os casos, o que diferencia uma prática BDSM de violência é a negociação e o consentimento.

Por que alguém gosta disso?

Existem várias explicações possíveis, e nenhuma delas é obrigatória. Uma delas é fisiológica: durante essas experiências o corpo libera endorfinas e outros hormônios que podem produzir sensações de euforia, relaxamento ou bem-estar. Outra é psicológica: quem recebe o estímulo tem algum controle sobre o tipo, a intensidade e o momento da dor, o que transforma uma sensação desagradável em algo desejado.

Muita gente que se identifica como masoquista também se identifica como submisso, e entregar o poder durante uma cena pode funcionar como uma pausa das responsabilidades do dia a dia. Do outro lado, quem gosta de aplicar os estímulos costuma encontrar prazer na sensação de controle, na confiança recebida e no cuidado com o parceiro. Há ainda quem veja nessas práticas uma forma de liberar tensões e emoções que o sexo convencional não alcança.

É importante lembrar que papéis não são pacotes fechados: dá para gostar de receber dor e ainda assim assumir uma postura dominante, alternar entre papéis ou praticar apenas o aspecto físico, sem encenação de poder.

Mitos comuns

Um dos equívocos mais frequentes é achar que S&M é uma licença para abusar. Não é. Consentimento vale para cada ato, e qualquer pessoa pode pausar ou encerrar a prática a qualquer momento. Outro mito é que o masoquista não tem poder na situação: ele mantém o controle justamente porque negociou o que quer receber e sabe reconhecer a diferença entre a dor desejada e a dor acidental.

Também é engano imaginar que S&M envolva surpresas. Salvo combinação prévia, a pessoa que recebe o estímulo sabe mais ou menos o que vai acontecer e com que intensidade. E não: nem toda prática precisa ser sexual. Alguém pode gostar de palmadas e não querer nenhuma outra atividade erótica além disso.

Segurança em primeiro lugar

Antes de qualquer coisa, pratique com alguém em quem você confia de verdade. Isso é ainda mais importante para quem assume o papel de receber os estímulos, já que está entregando parte do próprio corpo ao cuidado do outro. Participar de comunidades locais e conversar com outras pessoas pode ajudar a conhecer a reputação de um possível parceiro.

Vá mais devagar do que você imagina ser necessário. Comece com a mão em vez de um objeto, use um acessório mais leve antes de partir para um mais intenso, deixe as pinças na regulagem mais frouxa e teste uma variável por vez. Acrescentar uma venda na primeira sessão, por exemplo, pode tornar tudo mais intenso do que o esperado.

Defina palavras ou sinais de segurança antes de começar. Um sinal combinado é essencial em cenas com mordaça ou quando a pessoa não consegue falar. Nunca hesite em usar a palavra de segurança: a cena sempre pode ser retomada, mas as consequências físicas e emocionais de não parar podem ser sérias.

Em relação ao impacto, prefira áreas com mais tecido muscular e gordura, como a parte carnuda dos glúteos e a parte de trás das coxas. Evite golpes sobre órgãos internos, como os rins, sobre articulações e sobre a coluna. Tenha por perto um kit de primeiros socorros, o celular carregado e uma tesoura de ponta arredondada capaz de cortar rapidamente qualquer amarração. Prefira algemas de náilon ou couro às de metal, que podem machucar a pele em sessões mais longas, e evite materiais que apertam sozinhos quando a pessoa se debate.

Depois da cena: o aftercare

Ao final, mesmo que a prática tenha sido leve, pode ser necessário um período de cuidado — o chamado aftercare. Isso inclui atender necessidades físicas e emocionais: água, comida, um cobertor, carinho, massagem, conversa. Pomada calmante em pele marcada, gelo e curativos também fazem parte dos cuidados. A quantidade necessária varia de pessoa para pessoa e de cena para cena.

Um contato no dia seguinte ou alguns dias depois é uma boa prática, porque a queda hormonal pode aparecer com atraso e afetar o humor de quem recebeu os estímulos.

Como conversar sobre o assunto com um parceiro

Não existe uma fórmula única. Você pode mencionar que leu sobre o tema, deixar um livro à vista, comentar fantasias durante uma conversa tranquila ou perguntar diretamente o que a pessoa acha. Falar sobre atividades específicas costuma assustar menos do que usar a palavra S&M de imediato.

O diálogo deve ser mais longo do que parece necessário. Combinem o que cada um quer tentar, até onde pretendem ir, o que fazer se algo der errado e como lidar se um dos dois perder o interesse. Esse tipo de conversa costuma fortalecer a comunicação do relacionamento como um todo.

No fim, o objetivo é o mesmo de qualquer prática BDSM: prazer, descoberta e conexão, sempre com consentimento, negociação e cuidado mútuo.

Segurança

  • Combine palavras ou sinais de segurança antes de qualquer cena, especialmente se houver mordaça ou restrição de fala.
  • Evite golpes em órgãos internos, coluna e articulações; prefira áreas com mais tecido muscular, como glúteos e parte de trás das coxas.
  • Tenha kit de primeiros socorros, celular carregado e tesoura de ponta arredondada para cortar amarrações em emergências.
  • Pratique apenas com parceiros de confiança e inclua o aftercare no planejamento, não como improviso.
Fonte original

Este texto foi reescrito e adaptado para o português a partir de Bad Girls Bible - BDSM. Recomendamos a leitura do original.

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