# Relatório de 2025 da NCSF: incidentes, direitos e apoio à comunidade

> A NCSF divulgou seu relatório de 2025 sobre incidentes e respostas, com 226 atendimentos e dados sobre grupos, questões legais, outing, custódia e consentimento. O documento orienta advocacy e cuidados comunitários.

- Tema: Leis e direitos
- Tags: ncsf, direitos, consentimento, comunidade, relatório, discriminação, privacidade
- URL: https://arcanobdsm.com.br/a/relatorio-de-2025-da-ncsf-incidentes-direitos-e-apoio-a-comunidade
- Fonte original: NCSF - National Coalition for Sexual Freedom (https://ncsfreedom.org/2026/01/15/2025-incident-reporting-response-report)
- Atualizado: 2026-10-28

A National Coalition for Sexual Freedom (NCSF), organização dos Estados Unidos dedicada à defesa de pessoas que praticam BDSM consensual e não monogamia, publicou em 15 de janeiro de 2026 seu balanço de 2025 do programa Incident Reporting & Response (IRR). O documento reúne dados agregados sobre pedidos de ajuda, orientação jurídica, apoio a grupos e situações de discriminação, outing e violações de consentimento. A NCSF preserva a confidencialidade de quem procura o serviço e divulga apenas estatísticas, para mostrar onde as necessidades são maiores.

## Um panorama de 226 atendimentos

Em 2025, a equipe do IRR acompanhou 226 relatos. O número não representa todos os incidentes ocorridos na comunidade, mas indica quais tipos de problemas chegaram ao programa. O relatório também registra uma mudança no volume de pedidos ao longo do ano: foram 148 relatos entre janeiro e junho e 83 entre julho e dezembro, uma queda de 44% no segundo semestre. Essa variação pode refletir tanto mudanças na procura por ajuda quanto barreiras de acesso, e não deve ser lida automaticamente como redução real de incidentes.

## Tendências observadas

Entre os destaques de 2025 estão as pressões sobre clubes privados. Seis clubes precisaram de apoio para lidar com autoridades locais que tentavam aplicar ou criar regras de “Sexually Oriented Business” para encerrar suas atividades. Outros sete grupos pediram ajuda diante de reportagens sobre a legalidade de sua existência.

Outro ponto diz respeito a organizadores da comunidade kink e da não monogamia consensual. Cerca de 11% das pessoas acusadas de violação de consentimento eram organizadoras, contra cerca de 20% em anos anteriores. Ao mesmo tempo, 9 dos 15 relatos de outing afirmaram que um organizador havia exposto a pessoa. A questão merece atenção porque lideranças comunitárias precisam manter transparência, processos claros e respeito à privacidade.

Os relatos de difamação caíram de 15 para 10, uma redução de 33%. Já os casos de estrangulamento erótico não consensual somaram 5, mesmo número de 2024. Práticas de risco exigem negociação, consentimento contínuo, palavras de segurança e cuidados posteriores; quando o consentimento é ignorado, o ocorrido deve ser tratado com seriedade.

## Grupos, eventos e negócios

Um recorde de 107 grupos, eventos e negócios pediu ajuda ou teve um membro pedindo apoio em nome do coletivo. Os pedidos incluíram:

- 33 consultorias sobre políticas de consentimento e treinamento de equipes de resposta a consentimento;

- 27 dúvidas sobre participantes, apresentadores ou organizadores, além de relatos de pessoas banidas;

- 10 pedidos de informação organizacional e indicação de advogados ligados ao KAP;

- 7 casos de crise com autoridades locais e imprensa;

- 6 clubes intimados por autoridades a encerrar atividades com base em regras anti-SOB;

- 6 pedidos de apoio em situações de consentimento dentro de grupos;

- 4 relatos de pessoas banidas por grupos e 4 dúvidas sobre responsabilidade civil;

- 2 pedidos de treinamento com o Raid Guide e 2 pedidos de seguro;

- 1 relato de grupo online sofrendo shadow banning;

- 1 dúvida sobre legalidade de trabalho sexual em eventos;

- 1 pedido de apoio com voluntário, 1 dúvida de direitos autorais e 1 caso de difamação.

## Questões criminais

Cinquenta e seis pessoas relataram problemas legais e pediram assistência. Dessas, 45 relataram ter sofrido agressão, agressão sexual, ferimentos, estrangulamento, perseguição, assédio, ameaças, chantagem, remoção de preservativo sem consentimento, exposição a IST, gravação sem consentimento, desrespeito à palavra de segurança ou aos limites, dopagem, tráfico, vandalismo, roubo, ameaça violenta ou violação de medida protetiva.

Em 11 casos houve relato à polícia, com alguns resultando em acusações e condenações. Sete pessoas buscaram ordens de proteção. Cinco casos envolviam antecedentes criminais públicos. Cinco relatos tratavam de acusações contra organizadores, uma queda em relação a 14 de 69 casos em 2024, 19% em 2023 e 22% em 2022. Sete pessoas pediram indicação de advogados para se defenderem de acusações de agressão ou agressão sexual. Também houve pedidos de informação sobre consentimento em kink para um julgamento criminal e sobre a legalidade do BDSM nos Estados Unidos.

## Apoio profissional

Foram 25 pedidos de profissionais sobre kink e não monogamia. Eles incluíram indicações para saúde mental, informações sobre EPP para kink, encaminhamento médico, apoio entre pares para sobreviventes de agressão sexual na comunidade kink, dados sobre custódia para estudante de Direito, queixa de licenciamento profissional, pressão no trabalho para demissão, ajuda de mídia para uma produção, informação sobre estrangulamento e recursos para o Reino Unido.

## Questões civis

Dezesseis pedidos envolveram temas civis. Dez relatos eram sobre difamação. Quatro pessoas relataram discriminação no trabalho: uma por age play adulto, uma por kink, uma por consultar profissionais de dominação e uma porque o swing supostamente violaria o código de conduta da empresa. Houve ainda um pedido de indicação para ação de danos pessoais e um relato de denúncia de Title IX negada.

## Outing, doxing e privacidade

Quinze grupos ou pessoas relataram outing ou doxing. Oito pessoas foram expostas como kinky, três delas por fotos. Dois organizadores relataram outing e ameaça de ação legal pelas mesmas três pessoas. Um caso ocorreu durante disputa de custódia, um envolveu doxing e assédio, um organizador foi acusado de expor e vazar dados de outra pessoa, uma pessoa foi exposta à universidade e outra foi exposta no Twitter e teve dados divulgados. Privacidade é parte essencial do consentimento comunitário: expor alguém pode gerar danos profissionais, familiares e legais.

## Custódia, divórcio e estigma

Sete pais pediram ajuda com custódia e divórcio. Dois enfrentaram acusações de infidelidade por causa da não monogamia; um relatou problemas por swing; um disse que organizadores foram intimados a depor e questionados sobre por que o haviam banido; um perdeu a custódia após atuação em OnlyFans e entretenimento adulto; um educador kink enfrentou a acusação de “desvio sexual”; e um relatou que o kink foi usado contra ele. Os casos mostram como estigmas podem influenciar processos familiares.

## O que o relatório indica para a comunidade

Os dados ajudam a mapear necessidades concretas: políticas de consentimento claras, equipes de resposta treinadas, apoio jurídico, encaminhamento psicológico, proteção de privacidade e combate à discriminação. Para grupos, vale documentar processos de banimento, oferecer canais seguros de denúncia e buscar orientação legal antes de crises. Para pessoas, é importante preservar evidências, procurar apoio especializado e avaliar riscos antes de tornar um caso público.

A NCSF lembra ainda que o DSM-5, publicado em 2013, retirou o BDSM consensual da categoria de patologia. Isso não elimina o estigma, mas reforça que práticas consensuais entre adultos não são, por si só, um transtorno. O relatório de 2025 deve ser lido como ferramenta de advocacy e cuidado coletivo, não como retrato completo de toda a comunidade.

## Segurança

- Consentimento deve ser explícito, contínuo e revogável; negociação prévia, palavras de segurança e cuidados posteriores são essenciais em práticas de risco.
- Relatos de estrangulamento exigem treinamento, avaliação de riscos e atenção médica; nunca pratique sem conhecimento adequado e consentimento claro.
- Ao buscar apoio jurídico ou psicológico, priorize sigilo e profissionais informados sobre kink e não monogamia.
- Evite outing e doxing: expor a vida privada de alguém pode causar danos graves e viola expectativas de consentimento comunitário.
