# Ryuzaki Asuka: história da kinbaku e da dominação feminina no Japão

> Entrevista de 2020 traça a trajetória de Ryuzaki Asuka, dominatrix e kinbakushi de Kyoto, da cena SM dos anos 1990 à Europa, à maternidade e à pandemia.

- Tema: História
- Tags: kinbaku, dominação feminina, japão, história do bdsm, kyoto, cultura fetichista
- URL: https://arcanobdsm.com.br/a/ryuzaki-asuka-historia-da-kinbaku-e-da-dominacao-feminina-no-japao
- Fonte original: Kinbaku Today (https://www.kinbakutoday.com/ryuzaki-asuka-interview)
- Atualizado: 2026-10-28

Publicada em 28 de setembro de 2020, uma entrevista do site Kinbaku Today apresenta Ryuzaki Asuka, dominatrix e kinbakushi japonesa com três décadas de envolvimento em SM, fetichismo e cordas, e 25 anos de relação com o salão BAR-BARA, em Kyoto. A conversa ocorre durante a pandemia de COVID-19, quando deslocamentos e práticas presenciais estavam restritos; a entrevistada e o entrevistador lamentam as perdas e a impossibilidade de encontros. O relato é histórico e cultural, não um manual de técnicas.

## Primeiros passos em Kyoto

A atuação começa em 1990, quando entra no Rosencreutz, primeiro clube SM de Kyoto. Na época, poucas dominatrix japonesas amarravam bem, e o jogo sadomasoquista era estimulado com foco em kinbaku. Como não havia kinbakushi profissional na região de Kansai, ela estudou vídeos de Nureki Chimeo e Akechi Denki e treinou com homens masoquistas, acumulando prática. Em 1994, pouco depois da abertura do bar Barajujikan — nome japonês ligado a Rosacruz —, Osada Eikechi realizou um seminário com suspensões. O episódio é lembrado como parte da história da cena; suspensões são práticas avançadas, com riscos, e exigem formação, negociação e supervisão.

## Mulheres, cordas e visibilidade

Akechi Denki teve papel importante ao levar kinbakushi mulheres para vídeos e publicações, ajudando a desfazer a ideia de que a corda seria território exclusivamente masculino. Segundo Asuka, ao longo de cerca de 20 anos muitas dominatrix passaram a usar cordas em sessões e gravações, movimento favorecido pela passagem do vídeo para o DVD e pela digitalização. O Barajujikan, primeiro bar SM do oeste do Japão, recebeu o fotógrafo Araki Nobuyoshi, cujas imagens saíram depois em Kyoto Bojo, e o diretor de filmes rosas Yamamoto Shinya, que levou equipe de TV ao local. James Cameron, em visita ao Japão, teria ido ao bar em dois dias seguidos e deixado uma assinatura bem-humorada sobre o caráter doloroso da prática. Asuka foi manager do espaço por cerca de um ano e meio a partir de 1993. Em setembro de 1994, uma festa de aniversário reuniu nomes como Oniroku Dan, Akechi Denki, Eikichi Osada, Hige, Tsubakijuyo e Asagiri Rie.

## VELVET, BAR-BARA e mídia

Em 1995, ela apareceu na S&M Sniper e deixou o Rosencreutz para criar o VELVET em novembro. Na época, celulares eram raros e o contato se dava por pager e telefone fixo. Clientes, profissionais e jornalistas a procuraram, e o incentivo recebido a fez continuar. O VELVET funcionou como círculo SM e ponto de encontro em apartamento, com conversas sobre fetichismo; com o aumento de membros, virou o clube BAR-BARA. Ela também criou o selo de vídeo VELVET, influenciado por produções ocidentais dos anos 1980, e passou a refletir sobre produção e imagem. Desde 2000, com streaming e redes, dominatrix passaram a administrar a própria divulgação e conteúdo. Em 1996, abriu o BAR-BARA em Kyoto, lançou o selo e publicou a série VELVET OVERDOSE na BIZARRE. Em 1997 veio o segundo BAR-BARA, em Nagoya, e em 1998 o VELVET na mesma cidade; ambos fecharam entre 2002 e 2003. Nagoya é descrita como segunda casa, ligada à fotografia do VELVET, próxima de Kansai e com cultura própria; lá ela treinou dominatrix e deu aulas. Um manager vindo de Hokkaido assumiu o clube depois.

## Europa e circulação internacional

Em 1996, Asuka participou da EUROTICA, feira erótica então realizada a cada quatro anos em Düsseldorf. Após um incêndio no aeroporto, o evento foi transferido às pressas para Berlim, em um prédio na Normannenstrasse. Ela se apresentou no Kit Kat Club, deu aula como convidada no SM Club Modern Creation, em Düsseldorf, e fez performance na prefeitura de Wuppertal. A organização não é lembrada com precisão; a fonte remete às edições de agosto e setembro de 1996 da S&M Sniper. O relato é relevante para a história da kinbaku no Ocidente, pois circulações tão precoces são pouco conhecidas; a fonte cita Kazuko Seki, primeira manager do Nakano Queen, em visita ao Club Doma, nos Países Baixos, em meados dos anos 1980. Ao voltar, Akechi pediu informações sobre a experiência japonesa na Alemanha.

## Infância, disciplina e referências

Filha de uma família de Kyoto com ancestrais samurais, ela se descreve como décima geração e fala de criação disciplinada, com estudo de koto e dança tradicional. O incenso próximo à mãe e à avó funcionava como pressão para não errar. A avó e as irmãs bordavam quimonos, e a mãe trabalhava com estampa de seda yuzen. Em casa havia arte japonesa e ocidental, incluindo pinturas eróticas shunga. Como filha única, encontrou solidão e refúgio na leitura, passando da literatura japonesa a Dazai, Tanizaki, Shibusawa e Sacher-Masoch. A fonte também contextualiza a economia: o milagre japonês do pós-guerra encheu revistas fetichistas de anúncios e manteve locais de prática movimentados, até o acordo do Plaza, em 1985, e o estouro da bolha, em 1992, abrirem a chamada década perdida.

## Maternidade, pandemia e continuidade

Em 2000, Asuka teve uma filha. Ela critica a ideia de que uma dominatrix deve se aposentar ao casar ou engravidar, expectativa ligada à reação de clientes à gravidez. Em vez de retirada definitiva, defendeu algo como licença-maternidade e continuidade profissional. Sobre a COVID-19, observa que a indústria fetichista também repensa formas de jogo, espiritualidade e relações, e que a crise, embora econômica, pode abrir espaço para novas kinbakushi mulheres. O texto reforça que práticas de SM e cordas devem ser consensuais, negociadas e acompanhadas de palavras de segurança e cuidados posteriores.

## Segurança

- O texto é histórico e não ensina técnicas de cordas; suspensões e práticas de SM exigem treinamento, negociação e supervisão.
- Consentimento, palavras de segurança e cuidados posteriores são indispensáveis em qualquer prática.
- Relatos sobre COVID-19 e atividades presenciais devem seguir orientações sanitárias locais.
