# Sadomasoquismo: definição, consentimento e o que mudou na CID-11

> Entenda o que é sadomasoquismo, a diferença entre práticas consensuais de BDSM e violência, e por que a CID-11 deixou de tratar o tema como transtorno psiquiátrico.

- Tema: Saúde e bem-estar
- Tags: sadomasoquismo, bdsm, consentimento, cid-11, saúde sexual, glossário
- URL: https://arcanobdsm.com.br/a/sadomasoquismo-definicao-consentimento-e-o-que-mudou-na-cid-11
- Fonte original: Wikipédia (PT) - BDSM (https://pt.wikipedia.org/wiki/Sadomasoquismo)
- Atualizado: 2026-10-28

## O que significa sadomasoquismo

Sadomasoquismo é o termo usado para descrever a obtenção de prazer por meio de atos que envolvem dar ou receber dor física ou desconforto emocional, dentro de um contexto erótico. A palavra nasce da fusão de duas noções opostas: o sadismo, ligado a infligir estímulos intensos, e o masoquismo, ligado a recebê-los. No uso cotidiano, a abreviação S&M costuma aparecer como sinônimo.

É importante separar vocabulário de prática. Na comunidade kink, o sadomasoquismo é entendido como uma das muitas modalidades possíveis dentro do BDSM, sempre dependente de acordo prévio entre as pessoas envolvidas.

## Consenso é a linha divisória

A diferença central entre uma prática sadomasoquista e um ato de violência não está na intensidade do estímulo, e sim na existência de consentimento. Práticas de BDSM pressupõem combinação prévia sobre o que será feito, com quais limites e por quanto tempo.

Esse acordo não é um detalhe burocrático: ele é o que distingue uma cena combinada de uma agressão. Por isso, a literatura da área costuma tratar o sadomasoquismo consensual como um comportamento distinto de atos não consensuais de violência ou abuso sexual.

## O que mudou com a CID-11

Em 18 de junho de 2018, a Organização Mundial da Saúde publicou a 11ª revisão da Classificação Internacional de Doenças, a CID-11. Entre as mudanças está a retirada do sadomasoquismo do rol de diagnósticos psiquiátricos.

A revisão anterior, a CID-10, tratava o tema de forma diferente. A CID-11 passou a separar explicitamente:

- comportamentos sadomasoquistas consensuais, praticados sem dano inerente a si ou a terceiros;

- violência prejudicial dirigida a pessoas que não consentiram.

Na leitura adotada pela CID-11, o sadomasoquismo é compreendido como uma variante de excitação sexual e de comportamento privado, sem impacto considerável na saúde pública. Com isso, o diagnóstico psiquiátrico deixa de poder ser usado como instrumento de discriminação contra fetichistas e praticantes de BDSM.

Vale notar que o documento também não trata o sadomasoquismo como parafilia clínica automática. O enquadramento como transtorno só se aplica quando as práticas geram sofrimento ou prejuízo clinicamente significativo para a própria pessoa — o mesmo critério usado para outros quadros.

## Quantas pessoas praticam?

Pesquisas sobre a difusão de fantasias e práticas de BDSM apresentam resultados bastante variáveis, o que reflete diferenças de método, de amostra e de definição do que conta como prática. Ainda assim, estimativas recorrentes na literatura situam entre 5% e 25% da população o contingente de pessoas que já tiveram experiências sexuais envolvendo dor, dominação ou submissão.

Essa variação ajuda a explicar por que o tema aparece tanto em discussões sobre saúde sexual: o fenômeno é estatisticamente comum, mas raramente abordado com precisão nos espaços de educação em saúde.

## Prática com cuidado: negociação, palavras de segurança e aftercare

Quem se interessa por sadomasoquismo costuma ouvir que o mais importante não é o que se faz, mas como se faz. Na prática, isso se traduz em alguns cuidados básicos:

- **Negociação prévia:** conversar antes sobre desejos, limites, histórico de saúde e o que está fora de cogitação para cada pessoa.

- **Palavras de segurança:** combinar sinais verbais ou gestuais que interrompem a cena imediatamente, úteis especialmente quando a comunicação fica limitada (por exemplo, em restrições ou gag).

- **Progressão gradual:** começar por estímulos de baixa intensidade e ampliar apenas com acordo explícito.

- **Atenção ao corpo:** evitar áreas de risco, respeitar condições de saúde e interromper diante de sinais de dor excessiva, tontura ou desconforto real.

- **Cuidados posteriores (aftercare):** reservar tempo para acolhimento, hidratação, conversa sobre como cada um se sentiu e verificação de marcas ou desconfortos.

- **Revisão depois:** falar sobre o que funcionou e o que deve mudar na próxima vez, o que fortalece a confiança entre as pessoas.

Esses elementos não eliminam riscos, mas reduzem a chance de danos e tornam a experiência mais previsível e respeitosa para todos os envolvidos.

## Por que o tema interessa à educação em saúde

Deslocar o sadomasoquismo do campo do diagnóstico automático para o campo do comportamento consensual tem consequências práticas: profissionais de saúde passam a ser convidados a acolher relatos sem patologizar, e praticantes encontram mais espaço para falar abertamente sobre dúvidas, lesões e limites.

Ao mesmo tempo, a mudança não significa que qualquer ato seja aceitável. A fronteira continua sendo o consentimento — livre, informado e reversível —, junto com a responsabilidade de cada pessoa de cuidar da própria segurança e da segurança de quem está com ela.

## Ver também

- Sadismo

- Masoquismo

- BDSM

- Palavra de segurança

- Aftercare

## Segurança

- Toda prática de sadomasoquismo deve ser precedida de negociação explícita de limites e de palavras de segurança.
- Cenas que envolvam dor, restrição ou intensidade elevada exigem atenção a riscos físicos e cuidados posteriores.
- Consentimento pode ser retirado a qualquer momento; interromper a cena não é falha, é parte do acordo.
- Sadomasoquismo consensual não se confunde com violência ou abuso contra quem não consentiu.
