# Samois: grupo lésbico-feminista de BDSM em São Francisco (1978–1983)

> Organização lésbico-feminista de BDSM ativa em São Francisco entre 1978 e 1983, Samois marcou a história do ativismo sexual ao defender práticas consensuais e publicar obras de referência.

- Tema: História
- Tags: samois, história lésbica, bdsm, feminismo, são francisco, ativismo, publicações
- URL: https://arcanobdsm.com.br/a/samois-grupo-lesbico-feminista-de-bdsm-em-sao-francisco-1978-1983
- Fonte original: Wikipedia (EN) - BDSM (https://en.wikipedia.org/wiki/Samois)
- Atualizado: 2026-11-03

## Uma organização pioneira

Samois foi uma organização lésbico-feminista de BDSM sediada em São Francisco, nos Estados Unidos, que existiu entre 1978 e 1983. Registros históricos a apontam como o primeiro grupo lésbico de BDSM do país. O nome foi inspirado em Samois-sur-Seine, local associado à propriedade fictícia de Anne-Marie, personagem de A História de O, de Pauline Réage. A escolha do nome sinalizava uma identidade própria dentro do debate sobre sexualidade e literatura erótica da época.

## Origem e fundação

As raízes do Samois estão no Cardea, um subgrupo de mulheres dentro da Society of Janus, organização de BDSM aberta a todos os gêneros. O Cardea funcionou entre 1977 e 1978. Após seu encerramento, um núcleo de lésbicas — incluindo Patrick Califia, que na época se identificava como lésbica, Gayle Rubin e outras dezesseis pessoas — fundou o Samois em 13 de junho de 1978. O grupo nasceu como espaço exclusivamente lésbico para discutir, ensinar e defender práticas de BDSM.

## Embates com o feminismo antipornografia

O Samois enfrentou críticas duras da Women Against Violence in Pornography and Media (WAVPM), organização feminista antipornografia. A WAVPM via o sadomasoquismo como violência ritualizada contra mulheres e chegou a fazer piquetes contra o grupo. As integrantes do Samois sustentavam que suas práticas, baseadas em consentimento e negociação, eram compatíveis com o feminismo. Para elas, a visão defendida pela WAVPM era conservadora e puritana. Esse choque é lembrado como um dos primeiros episódios das chamadas guerras sexuais feministas, e o Samois ficou entre as primeiras vozes do feminismo sexo-positivo.

Em 1982, a antologia Against Sadomasochism reuniu textos críticos ao grupo. Um deles, Lesbian S&M: The Politics of Dis-Illusion, foi assinado por Judy Butler — crédito usado por Judith Butler — e criticava o Samois. Outros ensaios da coletânea também contestavam a organização.

## Publicações e produção intelectual

Integrantes como Califia, Rubin, Carol Truscott e outras produziram ensaios, livros, poesia e materiais voltados às comunidades lésbica e feminista. O objetivo era explicar, defender e ensinar práticas de BDSM sem sensacionalismo.

- What Color is Your Handkerchief: A Lesbian SM Sexuality Reader (1979): primeiro livro do grupo, com 44 páginas e reunião de textos já publicados por integrantes.

- Coming to Power: Writings and Graphics on Lesbian S/M (1981): antologia de poesia, ficção curta e arte sobre temas de sadismo e masoquismo. É considerada obra fundadora do movimento lésbico de BDSM.

- The Leather Menace (1982), de Gayle Rubin: ensaio que comparou praticantes de BDSM a hereges religiosos, devido à crítica constante que recebiam de setores feministas, lésbicos e da sociedade mais ampla.

## Encerramento e legado

O Samois se dissolveu em 1983, em meio a conflitos internos. Em 1984, Gayle Rubin ajudou a formar o The Outcasts, que continuou até 1997 e também terminou por divergências internas. Um grupo dissidente, The Exiles, segue ativo e mantém a tradição do Samois e do The Outcasts. Em 2012, o The Exiles de São Francisco recebeu o prêmio Small Club of the Year, do Pantheon of Leather Awards.

Em 1996, Califia e Robin Sweeney organizaram a antologia The Second Coming: A Leatherdyke Reader, que incluiu informações históricas sobre o The Outcasts e outros grupos lésbicos de BDSM, como Lesbian Sex Mafia e Briar Rose. Em 2007, a National Leather Association International criou prêmios para escrita sobre SM, fetichismo e couro; uma das categorias recebeu o nome de Samois. Em 2019, o Samois foi incluído no Leather Hall of Fame.

## Consentimento, segurança e contexto

A história do Samois é frequentemente lembrada por sua defesa de práticas consensuais e por sua contribuição ao debate público sobre sexualidade. Em qualquer prática de BDSM, o consentimento informado é central: é preciso conversar antes, definir limites, combinar palavras de segurança e respeitar a interrupção imediata quando ela for usada. Cuidados posteriores, conhecidos como aftercare, ajudam no bem-estar físico e emocional das pessoas envolvidas. O contexto histórico aqui apresentado não serve como autorização para práticas não consensuais ou com menores de idade.

## Segurança

- Conteúdo histórico; práticas de BDSM exigem consentimento informado, negociação prévia e limites claros.
- Combine palavras de segurança e respeite sua interrupção imediata.
- Cuidados posteriores (aftercare) são recomendados para o bem-estar físico e emocional.
- Nada aqui autoriza práticas não consensuais ou com menores de idade.
