# Shibari, vulnerabilidade e presença: a campanha de Lee Harrington

> Em episódio de 2014, Lee Harrington fala da campanha de seus livros de shibari e conecta cordas a vulnerabilidade, inclusão, presença e restrições a conteúdo adulto.

- Tema: Shibari e cordas
- Tags: shibari, cordas, lee-harrington, livros, vulnerabilidade, presenca, crowdfunding, consentimento
- URL: https://arcanobdsm.com.br/a/shibari-vulnerabilidade-e-presenca-a-campanha-de-lee-harrington
- Fonte original: Lee Harrington (https://www.passionandsoul.com/blog/audio/jan2014)
- Atualizado: 2026-10-31

## Um projeto de livros e uma reflexão sobre cordas

No episódio de janeiro de 2014 do podcast *Erotic Awakening*, Lee Harrington apresenta a campanha de financiamento coletivo para a edição revisada e colorida de *Shibari You Can Use: Japanese Rope Bondage and Erotic Macramé* e para a continuação *More Shibari You Can Use: Passionate Rope Bondage and Intimate Connection*. A conversa não se limita ao lançamento: usa o processo de crowdfunding como ponto de partida para falar de exposição pessoal, medo, apoio da comunidade e da relação entre praticar cordas e estar verdadeiramente presente.

## Vulnerabilidade como parte da prática

Harrington relata que mostrar o projeto ao público, pedir contribuições e receber apoio mexeu com sentimentos diversos. Ele compara esse estado de incerteza e expectativa ao que ocorre em uma cena: há prazer, receio, excitação e dúvida misturados. Para ele, aceitar a vulnerabilidade pode abrir espaço para coragem e conexão. A ideia central é que se expor de forma consciente, dentro de limites acordados, não é fraqueza; é uma escolha que pode fortalecer vínculos.

## Conteúdo adulto, censura e inclusão

O episódio também aborda barreiras enfrentadas por projetos de temática adulta. Harrington conta que teve um empréstimo bancário negado, não conseguiu usar o Kickstarter e foi solicitado pelo Indiegogo a editar o vídeo da campanha por causa de imagens de mamilos. Ele critica a incoerência de uma cultura que tolera certos tipos de violência e conteúdo sexual heterossexual, mas trata o corpo feminino e a sexualidade não normativa como indecentes. A partir disso, discute a importância de incluir corpos diversos nas imagens e nos livros sobre cordas.

A proposta não é dizer que só um tipo de corpo pode praticar shibari. Pessoas têm força, mobilidade, flexibilidade e sensibilidades diferentes. Um praticante pode usar cadeira de rodas, outro pode estar de salto alto, outro pode ter limitações nas articulações. A prática precisa se adaptar às possibilidades de cada corpo, com negociação e cuidado. Harrington defende que ninguém deveria ser excluído da experiência de explorar cordas com respeito e segurança.

## Presença, exibicionismo e negociação

Outro tema importante é a presença. Harrington observa que, em espaços de prática, às vezes as pessoas estão mais atentas a quem as observa do que à parceria ou à corda. Ele não condena o exibicionismo: uma cena de exibição pode ser prazerosa e legítima quando todas as pessoas envolvidas negociaram previamente esse formato. Também pode haver cenas em que uma pessoa usa outra como “tela” ou objeto, desde que isso tenha sido combinado com clareza. O problema surge quando o acordo era uma conexão entre parceiros e a atenção se dispersa.

Para ilustrar presença, ele cita uma imagem de mindfulness: um estudante come uma laranja enquanto conversa, e o professor pergunta se ele realmente sentiu o gosto. A resposta é que não. A aplicação para as cordas é semelhante: respirar, olhar para a parceria, perceber a respiração, a tensão da corda, a expressão e o corpo presente. Se a mente está no medo de errar ou no julgamento sobre si, a conexão se perde. A proposta é voltar ao momento e receber o que a outra pessoa oferece, seja em uma cena longa, seja em uma interação breve.

## Cordas com cuidado

A conversa reforça que presença não substitui segurança. Práticas com cordas exigem consentimento, negociação prévia, palavras de segurança e atenção a sinais do corpo. Compressões, posições prolongadas e restrições de movimento podem exigir ajustes, pausas e interrupção imediata diante de dor, dormência, formigamento ou desconforto. Também é fundamental combinar expectativas sobre exibição, toque, intensidade e cuidados posteriores. A vulnerabilidade defendida por Harrington caminha junto com responsabilidade: ouvir, checar, adaptar e cuidar.

O episódio, portanto, vai além de um anúncio de livros. Ele relaciona cordas, inclusão, presença e comunidade, lembrando que a prática pode ser um espaço de conexão profunda quando há consentimento, comunicação e respeito pelos corpos e limites de cada pessoa.

## Segurança

- Negocie limites, expectativas, palavras de segurança e cuidados posteriores antes de qualquer prática com cordas.
- Atenção a circulação, compressão nervosa, mobilidade e condições de saúde; interrompa diante de dor, dormência ou desconforto.
- Cenas públicas, exibicionismo ou objetificação só devem ocorrer com consentimento explícito de todas as pessoas envolvidas.
- Adapte as amarrações às possibilidades de cada corpo e não presuma que uma técnica serve igualmente para todos.
