O que é este glossário

O vocabulário do shibari mistura japonês, termos náuticos e expressões criadas por comunidades praticantes no Ocidente. Um glossário serve justamente para organizar esse vocabulário e evitar confusões: muitos nomes descrevem posições, outros descrevem objetos, e outros nomeiam papéis ou etapas do cuidado. Abaixo está um panorama organizado por temas, com definições reescritas e comentários sobre contexto e segurança.

Anatomia e nomes japoneses

Vários verbetes são simplesmente partes do corpo, usadas como prefixo ou sufixo em nomes de amarrações:

  • Ashi (足) – perna. Aparece em nomes de posições que exigem colocação específica das pernas, como a variante com uma perna elevada.
  • Ashikubi (足首) – tornozelo, presente no nome completo da amarração de canela com coxa.
  • Chikubi (乳首) e Chitsu (膣) – termos anatômicos japoneses registrados no glossário apenas como vocabulário; em qualquer prática envolvendo essas áreas, negociação prévia e limites explícitos são indispensáveis.
  • Dō nawa (胴縄) – corda de torso/faixa da cintura, usada em suspensão para apoiar a região. Diferente de koshi nawa, que passa pelo quadril.

Amarrações e posições mais citadas

  • Agura shibari (胡座縛り) – amarração com as pernas cruzadas, na posição sentada de mesmo nome; às vezes chamada de zazen shibari, por referência à postura de meditação budista.
  • Ashikubi futomomo shibari (足首 太もも 縛り) – a clássica amarração de perna dobrada, em que o tornozelo é preso à coxa. Existe em versões simples e em desenhos mais elaborados, como o futomomo diamante.
  • Box tie / gote / takate kote – família de amarrações de tronco com os braços atrás das costas e voltas no peito. O "box" vem do formato de caixa com quatro cantos formado por braços e peito. Há inúmeras variações de terceira corda, decorativas ou funcionais.
  • Chokushin gote shibari (直進後手縛り) – braços esticados para trás; no Ocidente às vezes comparada ao strappado, embora este último designe uma tortura histórica com risco grave de lesão e luxação no ombro. A comparação é útil apenas como alerta.
  • Chest harness / munenawa (胸縄) – qualquer arnês de peito que não envolve os braços.
  • Ebi shibari (海老縛り) – posição "de camarão": pessoa sentada com pernas cruzadas e tronco comprimido contra elas. Foi usada como método de tortura no período Edo e hoje é reconhecida como postura de altíssimo risco, por restringir a respiração.
  • Buranko (ブランコ) – usar a pessoa suspensa como balanço; a palavra significa literalmente "balanço".
  • Bō shibari (棒縛り) – amarrar a pessoa a um bastão ou usar bastões no próprio esquema de cordas (entre os braços, como espaçadores etc.). Tem raízes no teatro kabuki.
  • Daruma shibari (達磨縛り) – pernas abertas para os lados com os braços passando por dentro delas e fixados ao quadril; o nome vem do boneco japonês que representa o monge Bodhidharma.

Suspensão e pontos de ancoragem

  • Anchor point – qualquer ponto seguro onde a corda pode ser fixada: ganchos no teto, argolas na parede, estruturas específicas. A segurança do ponto é o item mais crítico de toda suspensão.
  • Aomukezuri (仰向け吊り) – suspensão com a pessoa de frente para cima.
  • Ebi-zuri (海老吊り) – suspensão na posição de camarão, combinação particularmente delicada.
  • Carabiner – mosquetão de escalada às vezes usado para criar sistemas de roldana; deve ser sempre um equipamento com carga de trabalho segura declarada.
  • Dressing – o trabalho de ajeitar as voltas com os dedos, alinhando-as, removendo torções e equalizando a tensão. Em suspensão, é etapa de segurança, não estética.

Nós, fricções e vocabulário técnico

  • ABOK – The Ashley Book of Knots, enciclopédia de nós publicada em 1944 pelo marinheiro Clifford W. Ashley, com 3.857 verbetes numerados. Apesar de não ser um livro de shibari, virou referência taxonômica: a maioria das amarrações de corda usa apenas um punhado desses nós.
  • Bowline – laço fixo que não aperta nem colapsa; no cordame erótico aparecem variantes como a Somerville e a French bowline.
  • Clove hitch – duas voltas simples sucessivas em torno de um objeto, útil como nó de cruzamento (ABOK #11).
  • Cow hitch – também chamado de lark's head ou hibari musubi, formado por dois meio-nós (ABOK #1802).
  • Bend – qualquer nó que une duas cordas entre si.
  • Bight – uma alça aberta formada ao longo da corda, não necessariamente na ponta.
  • Cinch / kannuki – recurso que adiciona tensão, típico de amarrações de dois membros e do gote.
  • Battendome (罰点留め) – fricção em X usada para travar cruzamentos, comum na primeira volta do gote.
  • Friction – travar um trecho de corda contra outro sem fazer um nó propriamente dito.
  • Amari nawa (余り縄) – a sobra de corda ao final da amarração, aproveitada como decoração ou reforço estrutural.

Materiais

  • Asanawa (麻縄) – corda de fibra natural, por oposição às sintéticas. O termo designa fibras de líber em geral (juta, cânhamo, linho), o que explica a fama "tradicional" da juta.
  • Aranawa (荒縄) – corda de palha de arroz, comum em fotografias antigas de kinbaku.
  • Bayu (馬油) – óleo de cavalo, tratamento tradicional para condicionar cordas naturais.

Papéis e cultura

  • Bakushi (縛師) – forma curta de kinbakushi, quem ensina kinbaku.
  • Deshi (弟子) – aprendiz ou discípulo formal de uma escola (ryu), com responsabilidades maiores que as de um aluno comum.
  • Dōjō (道場) – originalmente salas de treino ligadas a templos budistas; hoje o termo é usado no Ocidente para espaços de prática, embora não seja comum no Japão.
  • Bottom – quem é amarrado; não é sinônimo de pessoa submissa.
  • Bunny – gíria para quem faz o papel de amarrado, considerada depreciativa por parte da comunidade; deve ser sempre um identificador escolhido pela própria pessoa.

Cuidado e contexto

  • Aftercare – o conjunto de ações para sair de uma cena em ambiente estável e acolhedor. As necessidades variam de pessoa para pessoa e devem ser combinadas antes; podem ir de um abraço e um chá a horas de suporte emocional e físico.
  • Drop – queda emocional ou mental após experiências intensas, ligada à redução de endorfinas. Pode ser imediata ou tardia e afetar tanto quem amarra quanto quem é amarrado.
  • Dungeon e dungeon monitor (DM) – espaço equipado para práticas BDSM e a pessoa responsável por zelar por segurança, consentimento e riscos, intervindo quando necessário.

Segurança

  • Pontos de ancoragem e mosquetões devem ter carga de trabalho declarada e inspeção regular; nunca improvise com estruturas não avaliadas.
  • Posições comprimidas como ebi shibari e ebi-zuri restringem a respiração e exigem supervisão constante e saída rápida.
  • Combine previamente limites, palavras de segurança e o plano de aftercare, lembrando que as necessidades podem variar de uma cena para outra.
  • Atenção ao drop: ele pode surgir horas ou dias depois e afetar também quem amarra.
Fonte original

Este texto foi reescrito e adaptado para o português a partir de Shibari Study (blog). Recomendamos a leitura do original.

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