Um acervo de aparições televisivas
O estúdio RopeMarks mantém um arquivo que reúne suas participações na televisão ao longo de mais de duas décadas. O material vai de demonstrações de cordas em programas de auditório a documentários e reportagens, além de produções que usaram fotografias do estúdio como parte de seu conteúdo. A lista serve como um panorama de como o kinbaku e o shibari foram sendo incorporados pela mídia, sobretudo na Holanda, país onde o estúdio atua.
Como o tema chegou à telinha
As primeiras aparições ocorreram no início dos anos 2000. Em 2002, o programa Party Crash, da emissora V8, exibiu uma performance de cordas gravada ao fim de uma feira erótica. Segundo o próprio estúdio, foi provavelmente a primeira vez que uma suspensão no estilo shibari/kinbaku apareceu na televisão nacional holandesa. No mesmo ano, nos Estados Unidos, duas fotografias do RopeMarks apareceram em um episódio de Law & Order, usadas como parte de uma investigação ficcional.
Talk shows e programas de entrevista
- Jensen! (Holanda, 2007): convite surgido durante uma feira de kamasutra, com entrevista e demonstração de cordas.
- Fijne Vrienden (Holanda, 2014 e 2016): participação como convidado, incluindo a edição de estreia do formato ao vivo no YouTube e no canal Ziggo.
- Smaakmakers XL (2022): programa de entrevistas em que o artista falou sobre BDSM e kink, com foco em bondage e kinbaku, além de uma demonstração curta.
Documentários e séries
- Bizar & Bijzonder (Holanda, 2006): série de retratos sobre paixões consideradas incomuns, com um episódio dedicado ao shibari.
- Geloof, Sex en (Wan)hoop (IKON, Holanda, 2008): série documental em seis partes sobre o cenário sexual holandês, na qual o bondage aparece como parte dessa exploração.
- Red Carpet (Nova TV, Croácia, 2009): edição inteiramente dedicada ao RopeMarks, com entrevista e imagens de trabalho com cordas.
- Generation Sex (Reino Unido, 2008): programa sobre sexualidade contemporânea em que a equipe orientou um casal jovem a conhecer o universo do BDSM e do bondage.
Programas de variedade, testes e reportagens
A emissora holandesa BNN foi responsável por boa parte das aparições. Em Spuiten en Slikken, o estúdio apareceu em diversas temporadas: em 2006 apresentando um quadro sobre shibari; em 2008 respondendo a dúvidas de telespectadores sobre bondage e participando do teste nacional de sexo e drogas; em 2011 falando sobre bondage e fazendo uma performance; em 2012 com um quadro em que a parceira aparece de látex e amarrada; e em 2014 com entrevista e demonstrações ao vivo. Ainda em 2014, o especial Spuiten en Slikken – Wasteland registrou uma instalação de bondage japonês de três horas montada para os 20 anos do evento, com a colaboração de artistas holandeses e japoneses.
Outros formatos incluem Kamikaze TV (2009), sobre aspectos da cultura japonesa vistos como estranhos no Ocidente; Fobiac (2009), em que apresentadores enfrentavam medos, incluindo o medo de sexo, com uma demonstração e uma conversa sobre a experiência de ser amarrado; e Kamasutra TV (2007 e 2008), programa noturno que exibiu demonstrações e sessões gravadas em uma feira erótica, uma delas usando um poste de dança e outra uma motocicleta como parte do cenário.
Entrevistas internacionais
Em 2005, a emissora espanhola Nosolomusica entrevistou o estúdio durante o evento La Nuit Demonia, em Paris; o programa foi dublado em espanhol. Em 2017, a Rundfunk Berlin-Brandenburg, da Alemanha, incluiu uma breve entrevista e uma suspensão Denki-ryu em uma matéria sobre o artista Felix Ruckert e o evento Eurix.
Quando o assunto é segurança
Um episódio se destaca por não ser uma demonstração: em 2017, a RTL 4 procurou o estúdio como consultoria para uma reportagem do RTL Boulevard sobre segurança no kinbaku. A cobertura internacional vinha distorcendo o tema, e a contribuição nos bastidores ajudou a corrigir parte do enquadramento, ainda que a equipe não tenha sido autorizada a falar no ar. O caso ilustra como a mídia costuma procurar quem pratica para dar contexto a matérias sobre risco.
O que esse arquivo mostra
A trajetória sugere uma mudança de tom: das curiosidade e choque dos primeiros anos para um tratamento mais descritivo, com espaço para entrevistas, explicações técnicas e debate sobre segurança. Para quem se interessa pela história da representação do shibari na cultura pop, o acervo funciona como uma linha do tempo útil — e como lembrete de que demonstrações públicas de cordas só fazem sentido quando há negociação prévia, limites combinados e cuidado com quem está sendo amarrado.
Imagens da publicação original
Imagens reproduzidas da publicação original em RopeMarks, com autorização. Os direitos pertencem aos autores e fotógrafos. É titular e quer a remoção? Solicite aqui.
Segurança
- Suspensões com cordas envolvem risco de lesões nervosas, circulatórias e quedas; exigem treinamento específico, equipamento adequado e supervisão de alguém experiente.
- Demonstrações públicas ou gravadas devem ter consentimento prévio, limites acordados e possibilidade real de interrupção a qualquer momento.
- Amarrar o corpo de outra pessoa requer conversa sobre saúde, pontos de risco e palavras de segurança combinadas antes de começar.
- Após sessões intensas, reserve tempo para desamarração cuidadosa, hidratação, aquecimento e cuidados posteriores.
Este texto foi reescrito e adaptado para o português a partir de RopeMarks. Recomendamos a leitura do original.
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