Uma equipe reunida em torno do ensino de cordas

O Shibari Study é uma plataforma de assinatura voltada ao aprendizado de shibari e de outras formas de bondage com cordas. Em abril de 2024, o site publicou uma apresentação dos integrantes do time, mostrando quem são as pessoas por trás das aulas, dos vídeos e da comunidade — e como cada uma chegou até ali.

O texto não é um manual técnico. É um retrato de bastidores: histórias pessoais, conversas com a família sobre o trabalho com kink e a filosofia que sustenta o projeto.

Como cada pessoa chegou ao projeto

Anton, um dos fundadores, conta que a ideia nasceu de uma necessidade prática: ele queria aprender a amarrar e não encontrava bons recursos online. A sócia, Gorgone, entrou com o conhecimento técnico de shibari e os contatos; ele, com a visão de produto e o planejamento.

Max, amigo de infância de Anton, assumiu o desenvolvimento da plataforma. Mo chegou pelo servidor de Discord da comunidade, respondendo a uma vaga de gestão de comunidade — função que já exercia havia cinco anos em uma empresa de tecnologia.

Sage começou a praticar em 2013 e se dedicou à educação em cordas, com foco em criar ambientes mais acolhedores; foi convidada a integrar o time justamente para sustentar a ideia de que as cordas são para todo mundo. Kahrin, de ascendência japonesa, cuida das redes sociais e da conexão com uma comunidade que, segundo o texto, reúne mais de 370 mil pessoas interessadas em cordas.

Annie, escritora profissional, entrou por indicação de uma colega e está na equipe há quatro anos; o blog da plataforma era um desejo antigo dela. Enna começou como assistente depois de concluir um mestrado em 2021 e hoje responde pela administração e operações — além de já ter posado como modelo para o site. Fuoco, que pratica shibari há cerca de onze anos, conheceu Gorgone durante o mestrado em Londres e recentemente passou a dirigir gravações de vídeo e foto.

Falar sobre o assunto fora da bolha

Um dos pontos mais interessantes da apresentação é a naturalidade com que o time relata como explicou o próprio trabalho a familiares. As respostas variam bastante.

  • Alguns relatam ceticismo inicial, seguido de aceitação e até orgulho, à medida que a família entendeu melhor o que é shibari e o que a plataforma faz.
  • Outros contam episódios curiosos, como a mãe que descobriu o assunto ao ver uma corda sendo tingida em casa, ou o parente que já conhecia o meio por conviver com um fotógrafo de kink.
  • Há também quem prefira preservar detalhes: Enna explica que, por questões culturais e familiares, optou por não entrar em specifics e descreve o trabalho apenas como uma plataforma de assinatura educacional.

O denominador comum é o estigma. Falar sobre BDSM em público ainda exige cuidado, e o texto mostra que essa conversa costuma ser mais fácil quando o foco está na comunicação, na conexão e na intenção por trás da prática — e não apenas no aspecto sexual.

O que a equipe valoriza no ensino

A publicação também funciona como uma declaração de prioridades. Entre os destaques estão:

  • Inclusão: a premissa de que qualquer pessoa pode aprender cordas, com atenção a espaços mais diversos.
  • Conteúdo centrado em quem é amarrado: materiais pensados a partir da perspectiva de quem se submete à corda, uma linha defendida por Fuoco.
  • Diversidade de instrutores, com nomes como hua hua, Reemah e Kinoko.
  • Pedagogia: revisão das formas de ensinar, reorganização do catálogo em novas categorias e reformulação do site.
  • Escrita como complemento ao vídeo, com o blog servindo para temas que não cabem bem em uma aula gravada.

Por que esse tipo de conteúdo importa

Apresentar uma equipe pode parecer pouco, mas, em um universo ainda marcado por preconceito, mostrar quem ensina ajuda a construir confiança. Quem procura aprender shibari precisa de fontes responsáveis, que tratem negociação prévia, limites, palavras de segurança e cuidados posteriores como parte do aprendizado — e não como detalhe opcional.

O retrato do time do Shibari Study sugere uma aposta nesse caminho: gente que veio de áreas diferentes, aprendeu junto com a comunidade e transformou uma dificuldade pessoal em um projeto educativo. Para quem está começando, a mensagem implícita é simples: procure instrução de qualidade, converse bastante antes de amarrar e trate o consentimento como base de tudo.

Segurança

  • Antes de qualquer prática com cordas, negocie limites, expectativas e palavras de segurança com todos os envolvidos.
  • Aprenda técnicas de amarração com fontes confiáveis e prefira praticar com supervisão até dominar os fundamentos.
  • Evite pontos de pressão sobre nervos e articulações e mantenha tesoura de segurança ao alcance durante a prática.
  • Cuidados posteriores (aftercare) — conversa, água, aquecimento e acolhimento — fazem parte da prática responsável.
Fonte original

Este texto foi reescrito e adaptado para o português a partir de Shibari Study (blog). Recomendamos a leitura do original.

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