Uma faixa pop com vocabulário fetichista
Em 23 de janeiro de 2011, "S&M" chegou às rádios norte-americanas como o quarto single do álbum Loud (2010), de Rihanna. A canção foi escrita por Ester Dean em parceria com os produtores noruegueses do duo Stargate (Tor Erik Hermansen e Mikkel Eriksen) e com o francês Sandy Vee. Com cerca de quatro minutos, é uma faixa dançante de andamento acelerado, apoiada em sintetizadores, teclado, guitarra e batidas de baixo — descrita por críticos como uma mistura de hi-NRG e eurodance, em torno de 128 batimentos por minuto.
A letra, no entanto, é o que fez a música circular pelo mundo: ela fala abertamente de fetiches, bondage e sadomasoquismo, com uma protagonista que se descreve como "má" e demonstra segurança sobre o próprio desejo. Ester Dean contou à Billboard que a ideia nasceu de um trocadilho com o ditado infantil sobre "paus e pedras" quebraram ossos — e que a canção, originalmente, havia sido pensada para Britney Spears.
Como a própria Rihanna leu a canção
Em entrevista à Rolling Stone, Rihanna comentou que gosta de assumir o controle, mas também de se colocar em posição de submissão — sempre no campo da fantasia e da intimidade consensual. Para a Spin, ela afirmou que a letra funcionava como metáfora: falava menos de práticas sexuais e mais de confiança na própria identidade e de não se deixar abalar por rumores e críticas.
A recepção crítica foi dividida. Houve quem elogiasse a produção e a energia da faixa, e quem considerasse a letra excessivamente explícita. Publicações como Slant e Digital Spy destacaram os ganchos e a batida; outras, como a BBC Music, avaliaram que o tom francamente sexual soava forçado diante da proposta mais brincalhona do álbum. Vale registrar que a versão tocada em algumas rádios britânicas foi editada para remover menções a sexo, correntes e chicotes, e ganhou o título alternativo "Come On" na BBC Radio 1.
Remix, desempenho comercial e apresentações
O primeiro remix divulgado foi o do rapper J. Cole, em janeiro de 2011. Depois, Rihanna perguntou aos seguidores no Twitter com quem gostaria de dividir a faixa; Britney Spears foi a resposta mais pedida. O remix oficial, com versos escritos e cantados por Spears, saiu em 11 de abril de 2011.
A parceria impulsionou o desempenho comercial: a versão solo havia chegado ao segundo lugar na Billboard Hot 100, e a soma das vendas das duas versões levou "S&M" ao topo da parada. Foi o décimo número 1 de Rihanna nos Estados Unidos e o quinto de Spears. A faixa também alcançou o primeiro lugar em outros seis países e figurou entre as dez mais vendidas em mais de vinte territórios, acumulando certificações de multi-platina nos Estados Unidos e na Austrália.
Ao vivo, a cantora apresentou uma versão encurtada no Brit Awards de 2011 e dividiu o palco com Spears no Billboard Music Awards do mesmo ano.
O videoclipe: imprensa, fetichismo e censura
Dirigido por Melina Matsoukas e filmado em Los Angeles em janeiro de 2011, o clipe estreou no Vevo em 1º de fevereiro daquele ano. A própria diretora explicou à Billboard que a inspiração central era a relação, digamos, sadomasoquista de Rihanna com a imprensa — e não apenas um desfile de adereços fetichistas. A narrativa encena uma coletiva de imprensa na qual a cantora aparece amarrada, cercada de microfones e repórteres vendados, além de cenas com jornalistas contidos por cordas, imagens de manchetes projetadas sobre o corpo dela e figurinos de látex. Artistas drag como Willam Belli, Detox Icunt e Morgan McMichaels participam do vídeo.
O resultado gerou polêmica: o clipe foi proibido em diversos países e teve exibição restrita ao horário noturno em outros. O fotógrafo David LaChapelle entrou na Justiça alegando que o vídeo se apropriava de ideias de suas fotografias; o caso foi encerrado por acordo, com valor não divulgado. Boa parte da crítica, porém, elogiou o colorido, a sensualidade e o tom irônico da produção.
Por que essa faixa ainda interessa a quem estuda BDSM e cultura pop
"S&M" é um exemplo claro de como o vocabulário do BDSM entrou no mainstream pop do início da década de 2010: correntes, chicotes, cordas e látex apareceram em videoclipes, capas e performances televisionadas, frequentemente transformados em metáfora de liberdade, autoafirmação ou confronto com a mídia. Ao mesmo tempo, a leitura metafórica feita pela própria artista ajuda a separar duas coisas diferentes: a estética fetichista usada como imagem e a prática real, que depende de conversa prévia, limites definidos, palavras de segurança e cuidado depois.
Para quem se interessa pelo tema, vale lembrar que obras pop costumam condensar elementos visuais do BDSM sem mostrar o que os torna seguros — negociação, consentimento contínuo, escolha de equipamentos adequados e atenção ao bem-estar das pessoas envolvidas. Assistir a um clipe é entretenimento; praticar exige preparo, informação e responsabilidade.
Imagens da publicação original
Imagens reproduzidas da publicação original em Wikipedia (EN) - BDSM, com autorização. Os direitos pertencem aos autores e fotógrafos. É titular e quer a remoção? Solicite aqui.
Segurança
- A estética fetichista mostrada em videoclipes é Fantasia e imagem: prática real exige consentimento explícito, negociação prévia de limites e palavras de segurança.
- Nunca reproduza cenas de contenção ou impacto sem aprender técnica, materiais adequados e noções de primeiros socorros.
- Combine sempre cuidados posteriores (aftercare) e converse sobre a experiência depois, especialmente em práticas de maior intensidade.
- Conteúdo restrito a pessoas adultas e praticado entre adultos que consentiram livremente.
Este texto foi reescrito e adaptado para o português a partir de Wikipedia (EN) - BDSM (CC BY-SA 4.0). Recomendamos a leitura do original.
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