Um acervo de mídia impressa
A página de publicações do site RopeMarks funciona como um arquivo de recortes: reúne, em ordem cronológica decrescente, as ocasiões em que o trabalho do coletivo holandês apareceu em revistas dedicadas ao universo fetichista, ao bondage e à arte erótica. Os registros vão de meados dos anos 2000 até 2017 e cobrem títulos da Holanda, Bélgica, Alemanha, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos.
RopeMarks é apresentado como um projeto dedicado à arte da corda japonesa — shibari e kinbaku —, com performances de palco, instalações e colaborações com fotógrafos, modelos e outras artistas da cena. Boa parte das menções é assinada pela parceria com a modelo e performer DutchDame. A página não é uma loja nem um texto explicativo sobre a prática: é um índice de aparições públicas, com legendas curtas indicando edição, país e data aproximada de cada revista.
Revistas e países citados
O título mais recorrente é a neerlandesa Massad, com dezenas de edições mencionadas ao longo de mais de uma década. Também aparecem:
- Secret Magazine (Bélgica), com uma foto de teppou shibari feita em parceria com FetLight;
- Bedeseme (Espanha), com entrevistas e imagens de colaborações;
- SteelMoon (Bélgica), em vários volumes, com fotos de Patrick Ceuppens e de outras parcerias;
- Bondage Magazine e Marquis (Alemanha);
- Skin Two (Reino Unido);
- Alternative Revolution e Mouth and Mouth Magazine (Estados Unidos);
- Doma, Foxy, Aktueel, Heleen Magazine e uma menção na edição neerlandesa da Cosmopolitan.
A revista alemã Schlagzeilen é citada como capa. Em 2007, a publicação holandesa Heleen Magazine — um número especial baseado nos temas dos romances de Heleen van Royen — teria indicado o RopeMarks como referência para aprender shibari em uma matéria sobre iniciação ao SM.
Performances e eventos registrados
As legendas do arquivo também funcionam como um pequeno histórico de palcos e festas da cena europeia. Entre os eventos citados estão as edições do Wasteland (incluindo a comemoração de 20 anos e a edição Aquaphilia, com um ato de abertura inspirado em sereias feito em parceria com o circo japonês Yusura e o designer Dennis Diem), a feira BoundCon, o German Fetish Ball, o Fetish Evolution, a festa francesa Nuit Demonia, o Boudoir Bizarre, as festas B.I.T.C.H., EuroPerve, Unleashed e as comemorações de aniversário da festa de SM e fetiche organizada por Mrs. Manita.
Há ainda registros de instalações com cordas sob luz negra, de workshops conjuntos com a dominatrix japonesa Mistress Hibiki e da terceira colocação de DutchDame no concurso Miss Fetish Europe. Uma das séries fotográficas, feita com o fotógrafo Look J. Boden sob o título Flesh, Blood and Sin, é citada como tendo sido publicada em uma revista cultural local e em uma publicação norte-americana de artes eróticas.
O livro e a lógica do arquivo
A edição 276 da Massad (dezembro de 2015 a janeiro de 2016) traz uma resenha do livro RopeMarks presents DutchDame, descrito na página como disponível para compra. É o único item do acervo que remete a uma publicação própria do coletivo, e não a uma aparição em veículo de terceiros.
Vale notar que as datas indicadas são as das edições das revistas, muitas vezes com intervalos de dois meses, e não necessariamente as datas dos eventos ou das sessões fotográficas. O arquivo, portanto, deve ser lido como uma linha do tempo aproximada da presença midiática do grupo, e não como um calendário preciso.
Por que esse tipo de registro importa
Para quem estuda a cultura fetichista europeia, arquivos como esse ajudam a mapear a circulação de artistas de corda entre festas, feiras e publicações especializadas. Mostram também como o shibari passou, ao longo dos anos 2000, de nicho restrito a revistas dedicadas a bondage para menções em veículos de moda, arte e comportamento — sempre associado, nesses contextos, a uma estética de palco e a um trabalho de negociação prévia entre quem amarra, quem é amarrado e a produção do evento.
Práticas de corda envolvem riscos reais: compressão de nervos, restrição circulatória e quedas. Por isso, qualquer demonstração pública responsável pressupõe conversa prévia sobre limites, combinação de palavras de segurança, checagem constante de sensibilidade e circulação nas extremidades, tesoura ao alcance e cuidado posterior com quem foi amarrado.
Imagens da publicação original
Imagens reproduzidas da publicação original em RopeMarks, com autorização. Os direitos pertencem aos autores e fotógrafos. É titular e quer a remoção? Solicite aqui.
Segurança
- Práticas de corda exigem negociação prévia de limites, palavras de segurança combinadas e checagem frequente de circulação e sensibilidade.
- Tenha sempre uma tesoura de segurança ao alcance e evite suspensões sem treinamento específico e supervisão experiente.
- Após a cena, reserve tempo para cuidados posteriores: água, aquecimento, conversa e verificação de marcas.
- Performances em eventos devem incluir combinação clara entre artistas, modelos e produção sobre riscos e interrupção a qualquer momento.
Este texto foi reescrito e adaptado para o português a partir de RopeMarks. Recomendamos a leitura do original.
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